Descobrí muito recentemente que o MESTRE YUPO, colaborador importantíssimo desse blog é um grande desenhista, além de ser um grande pesquisador completista de música de diversos estilos diferentes dando destaque ao mundo bizarro.
Ganhei vários scketches dele e achei que merecia publicar, porque achei realmente lindos e cheios de personalidade e talento.
Seu estilo é ácido, doentio e repleto de detalhes, muito influênciado pelos mangás undergrounds da corrente anti-Tezuka cheia de moral e bons mocinhos, o que não significa que Tezuka não tenha feito muita coisa doentia e bastante radical também, incluindo estórias de incesto e tramas de conteúdo ultra pessimista.
Yupo é um grande fã da revista Garo de onde saíram autores radicais como Takashi Nemoto, Hajime Yamano, Kazuo Umezu e Suehiro Maruo. Fora do Japão ele adora Harvey Kurtman da revista MAD e Victor Moscoso. Grande colecionador desses autores e muitos outros, Yupo poderia fácil ser consultor e tradutor de várias obras primas que nunca foram publicadas no ocidente. Sua coleção é uma verdadeira fábula negra. As editoras brasileiras estão perdendo tempo em não contratá-lo no sentido que esssa informação incrível chegasse ao público brasileiro.
O Mestre já produziu muito em sua vida, inclusive HQs de conteúdo bastante extremo. Infelizmente um infortunio emocional o fez se livrar de tudo numa grande fogueira. Sem dúvida algo trágico para gente como nós e sem a menor dúvida para ele...
Esses desenhos já foram feitos à um certo tempo atrás. Atualmente ele está investindo num novo trabalho. Vamos aguardar sua nova produção com muita atenção.
O desenho acima foi feito para ser um cartaz que divulgava seu programa de rádio na USP sobre músicas e Culturas Bizarras.
Acima, o Mestre exibindo seu original de Osamu Tezuka.
Agora, trocando informações sobrenaturais com outro Mestre Lourenço Mutareli.
Teaser for the animated series by grant morrison direction: guilherme marcondes
production company: perspective studios project manager: melissa johnson producer: danon hinty motion capture supervisor: keith robinson stunt coordinator: manny silverio animation supervisor: rick fronek 3d artists: paul liaw, jonah friedman, robert dollase, peter karnik, lee wolland compositing: charles kline, ray lee, bryan cox, travis blain matte painter: alex ruiz programming: keith pasko music: paulo beto sound design: david wilson
Bem, fim do ano passado fui convidado pelo amigo Guilherme Marcondes http://guilherme.tv para trabalhar nesse projeto incrível, baseado num roteiro original do Grant Morrison (autor do asilo arkhan) prum game...HQ...não sei dizer...juro. É tipo um teaser na real para vender o lance todo. O que interessa é que o teaser era pra ser apresentado na COMIC CON 2008 em San Diego pruma audiência de 2000 fanáticos por quadrinhos e artistas também. Entre eles estava o fantástico Stan Lee! Excelsior!!!!!! Foi lindo fazer esse trampo de trilha. Os clientes aprovaram de cara! Valeu pelo convite, Gui!!!!
Quem me conhece sabe que eu curto umas coisas bizarras, acho que quem já acompanha o blog já deu pra entender. Mas não é que eu só acho graça, eu curto MESMO! Espero que vocês se divirtam com essa minha seleção de ouro! Meu critério principal é que são musicas que eu curto e tenho em vinil.
Tracklist:
01 - Carnaval in Rio/Heino Um clássico do samba alemão. Heino é muito famoso e popular na alemanha por senhorinhas que curtem comer um bolinho com chá.
02 - Feira do Troca-troca/Candango do Ypê A gente nunca sabe até que ponto as misérias humanas podem chegar. Candango do Ypê é motivo para estudos sérios!
03 - Os Brutos Também Amam/Agnaldo Timóteo Tá uma música romântica para curtir com o seu par numa boa! "Minhas lágrimas reclamam! Elas dizem no meu pranto, que os brutos também amam..." coisa linda
04 - Good Morning Starshine/Vincent Bell Essa é para os meus amigos indies! Grande guitarrista de lounge music!
05 - Remember/Yma Sumac Nem todo mundo sabe que a grande cantora peruana descendente de nobre incas gravou um disco de rock'n'roll produzida pelo maestro Les Baxter! Imperdível!!!!!
06 - Musique/France Gall Ela é minha cantora francesa favorita e eu adoro essa música, mesmo sendo do início da fase de sua decadência! Fofura!
07 - Destino de Menino/Franquito E essa canção composta por José Mojica Marins para trilha de seu filme "Meu destino em tuas mãos" quando o filme ainda nem existia? As vendas do disco eram pra arrecadar fundos para a produção do filme. Isso foi antes de Zé do Caixão existir... Mojica adorava esse cantor uruguaio que mais parece um castrati.
08 - Pra Frente Brasil/Miguel Gustavo Eu fiz uma versão da letra muito bacana dessa música ufanista: "noventa culhões em ação... enfia no c• sái uma secreção... e por aí vai...
09 - Breakthrough/Isaac Hayes Super fonqui de primeiríssima do mestre!
10 - The Conqueror-In Hinding/Genesis Comprei esse vinil recentemente e empolguei de colocar aquí! Adoro essa fase Bee-Gees do Genesis...
11 - Soul Dracula/Dracula AAAAH! Essa é uma pérola! Agita qualquer festinha de terceira idade! E depois, Dracula é Dracula, né?
13 - História da Menina Boazinha/Meire Pavão Essa cantora pré-jovem guarda compôs essa canção que na verdade deveria ser regravada pelo portishead. Impressionante como o clima tem à ver com a banda! Trip Hop puro pré-jovem guarda!!!!! "Cuidado meninas, quase sempre o coração pode mais que a razão!..."
Senhoras e senhores, apresento meu novo trabalho. Dense Music. Quase que podíamos considerar como o oposto de Dance Music. Desde que percebí que, para mim, correr atrás de tendências se tornaria uma grande arapuca, comecei a mergulhar na raíz do que eu realmente curto. Curto e grosso.
Fui formado na escola da precariedade, fazendo loops em fitas cassete, usando sampler de 8 bits e sequênciando AMIGA e MSX.
Meus heróis sempre foram o Kraftwerk, o Cabaret Voltaire (no início), Throbbing Gristle, o Einstürzende Neubauten, XX Commeetée, Test Dept, Laibach, Dive e esse tipo de coisa. Aos poucos foram somando referências eruditas (porque esse próprios artistas citados se influênciavam pelos eruditos) como Stockhausen, Cage, Henry e Schaeffer etc... Continuando a soma, os anos 90 me trouxeram o amor incondicional pelos teclados analógicos e bandas como ADD (N) TO X, Tipse, Sukia e foi quando descobrí maravilhas como United States of America, Silver Apples, White Noise e Suicide. Sem esquecer que tive uma forte onda WARP também...
Já os anos 2000 me aproximaram mais do passado num forte aprofundamento na Psicodelia e em artistas mais obscuros (não necessáriamente eruditos) do período pioneiro da música eletrônica, como Bruce Haack, Raymond Scott, Delia Darbyshire (minha ídola superma), Roger Roger e outros tantos...
Outra influência pra mim muito marcante foi a escola do KRAUTROCK, onde bandas como Can, Neu!, Faust, Harmonia, La Dusseldorf e de novo o seminal Kraftwerk me ensinaram o poder da música repetitiva. O mantra-rock munido das colagens e dos ruídos eletrônicos analógicos que provocam a deliciosa ansiedade do "homem squizóide do século XXI". O equilíbrio dinâmico da doçura com o ruído extremo.
E sobre a repetição, outro artista que me marcou muito à pocos meses atrás foi Gavin Bryars com sua espetacular: Jesus' Blood Never Failed Me Yet. Incrível como os movimentos circulares que o pensamento é provocado à fazer, ao contrário de te manter preso num ponto, te desloca numa fascinante espiral que te eleva a um estado de comunicação mais sensível com o que de interno e externo em nossos pensamentos. Acredito que tanto para quem toca como para quem ouve, tudo começa com a sensação desabradável da repetição até que rola aquele "click" que te põe na sintonia. No fundo o objetivo seja mesmo esse, a sintonia...
Juntando tudo isso que eu citei e buscando um aperfeiçoamento na arte da simulação de minha época de falta de recursos técnicos, tento ser o mais tosco possível, porque de fato, ainda existe um pedaço que eu gosto muito de mim do dia que ouví música eletronica pela primeira vez nos anos 70.
Usei pra fazer dois laptops Apple com Pro-Tools, Reason e Reaktor. Uma série de plug-ins inclusive os da GRM. Baixo e o meu maravilhoso MINIMOOG que tanto amo!
Esse disco tem a participação especial de Rodrigo Silver Machine na faixa "punk hyppie lesado e sujo" tocando baixo com Fuzz.
Hoje em dia é tão comum as pessoas fazerem qualquer merda e publicarem em revistas impressas e na internet... Também entrei nessa onda! Publico aquí uma HQ que produzí no final dos anos 80 só por curtição e também porque eu me amarro na linguagem!
Minhas maiores frustrações é não ter me tornado quadrinista e não ser dono de um estúdio de tatuagem chamado "JECA TATOO".
Muito antes da era do computador, fiz com caneta, tesoura, cola e um monte de revistas velhas que incluíram fotonovelas e revista som 3 essa colagem inspirada nos quadrinhos nacionais do Zé do Caixão que misturam desenhos com colagens de fotos dele.
O resultado ficou uma merda, mas eu adoro essa bomba! Acho que tem tudo à ver com meu blog. Rafael Grampá que me aguarde, vou derrubar o seu trono, hahahahaha
Fala ae, você já conhece THURSTON MOORE! O guitarrista e vocalista do grupo americano Sonic Youth que deu dignidade à produção de rock experimental e pop nos Estados Unidos nos anos 90. Ganhei do MESTRE YUPO uma cópia desse cd e resolví dividí-lo com vocês. É material desse gênio remixado, reprocessado, recriado, re re re... Aí está toda a arte do cd, mas o Mestre disse que existe uma versão ainda mais caprichada tanto pra vinil quanto pra cd, com muito mais material gráfico, mas que o conteúdo sonoro é o mesmo. Ouve ae, nêgo!
Para as pessoas não acharem que eu me levo a sério demais, aquí vai um post de arrepiar os cabelos! Ray Manzarek, ex-tecladista do cultuado grupo "THE DOORS", achou que a obra mais popular do magnífico compositor Carl Orff merecia uma versão em rítimo de discoteca...
O que dizer sobre isso?...
Vamos dar um desconto porque ele é descendente de polonês, uma das povos mais legais do planeta.
Pior, sabe que foi um dos produtores dessa baixaria? Phillip Glass!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Hahahahahaha
O ser humano sempre nos surpreende...
Mas sabe que eu gosto do disco? Tenho minha cópiazinha em vinil original da época em perfeitíssimo estado que foi de onde tirei o audio aquí postado. Mais recentemente grupos como LAIBACH já tiveram ideias parecidas. Os arranjos do Ray até dão pro gasto no quesito sintetizadores fritantes!!!!
Em matéria de comédia, o que ganha mesmo é o crédito da capa, feita por um tal de Hieronymus Beach.
Gente eu não estou inventando. Tá escrito isso mesmo no encarte!!!!
Apreciem essa maravilha da bizarrice, porque vc está sintonizado do MUNDO ESTRANHO DE PB.
Tracklist:
Destiny: Ruler of the World a. The Wheel of Fortune (O Fortuna) b. The Wounds of Fate (Fortune Plango) A2 Springtime a. The Face of Spring (Veris Leta Facies) b. Sunrise (Omnia Sol Temperat) c. Welcome (Ecce Gratum) d. The Dance (Tanz) e. Sweetest Boy (Dulcissime) f. If the Whole World Was Mine (Were Diu Werlt) B1 In the Tavern a. Boiling Rage (Estuans Interius) b. The Roasted Swan (Olim Lacus) c. In the Tavern (In Taberna) B2 The Court of Love a. Love Flies Everywhere (Amor Volat) b. A Young Girl (Stetit Puella) c. Come, My Beauty (Veni Vini Venias) d. The Lovers (Blanziflor et Helena) B3 Destiny: Ruler of the World The Wheel of Fortune (O Fortuna)
Mais uma obra prima que encontrei no sebo em Juiz de Fora. E esse me custou só 5 reais!!!! Isso mesmo, 5 reais!!!!! Mas esse não é só mais um disco muito foda que eu comprei.
Procuro esse disco por mais ou menos 20 anos na minha vida!
Essa obra já influenciou vários trabalhos que já fiz, tanto de vídeo como de música. Quem me apresentou à essa maravilha foi meu amigo Ricardo Corrêa de Juiz de Fora. Ele já era um fã de carteirinha!
Talvez a Ópera mais radical já escrita na nossa civilização. Sua magnitude é tão intensa quanto séria como expressão cultural. Na minha opinião é a obra máxima de Carl Orff.
Para ajudar-los à entender sua importância, seu roteiro e sua descomunal montagem, trancrevo aquí exatamente o texto de sua contra-capa. É longo, mas é lindíssimo, não deixe de ler!
1º Cena
Esta peça sobre o fim dos tempos é chamada "A Vigília". Começa com as lamentações das 9 sibilas. Usando cantos asiáticos e melodias expressivas baseadas em escalas gregas, elas descrevem os terrores do julgamento do mundo. A encenação de Saltzburgo dispensa cenário antiquado, evitando oáculos píticos e imagens históricas concretas. Foi escolhida uma árvore para pouso das corujas que reconhecem plenamente o fato de que o egoísmo é a fonte de todo o mal, e que a ânsia de possessão é a arma da guerra. Esta árvore é tão misteriosa quanto as profecias das Sibilas , tão romantica quanto sua linguagem simbólica e tão funéria quanto sua história. As três primeiras sibilas formam o tronco da árvore da vida. Sobre seua galhos pousam as irmãs de cabelos compridos que gemem seus lamentos pela humanidade, condenada sem esperança de redenção. A sorte dos últimos seres humanos será tão terrível que, frente a ela, a morte seria desejável.
2º Cena
A arvore se desintegra, as sibilas pairam próximo a terra e falam dos acontecimentos deste mundo quando não mais existirmos. Orff rejeita essa visão pessimista do fim das coisas. Recusa-se a acreditar em um Deus que nos ameaça com julgamento e punição eterna. Ele acredita que Deus não é um temível demônio mas um Deus de amor e consolação. Seu lema: "Omnium rerum finis erit victiorum abolitio" - o fim de todas as coisas será o esquecimento de toda culpa, palavras de Origen, um dos pais da igreja. Seu ensinamento revela o drama cósmico dos seres espirituais criados por Deus e por Ele dotados de razão. O drama começou no Céu antes do começo dos tempos, quando esses seres se rebelaram contra seu criador. Deus os puniu dando a cada qual haveres materiais em proporção da extensão de sua culpa individual. Origen considerou o assunto como a base do esfriamento do amor. Assim o mundo começou a existir como consequência do pecado. Enquanto punia pela imposição das coisas materiais, porém, Deus pretendeu também permitir um caminho para a redenção e o esclarecimento. Segundo Origen, o meio radical para a salvação é
2º e 3º Cenas
a destruição do mundo, de modo que todas as coisas possam reverter ao estado primordial. Todas as criaturas dotadas de razão de novo se tornarão iguais, misturando espírito e matéria. As sibilas flutuam agora como satélites sobre a nossa terra, que brilha como uma linda bola de luz sobre os astronautas sibilinos. Elas descrevem a noite que "abraçará igualmente pobres e ricos", e em que a vontade justa será salva e os sem Deus perecerão. "Todos os elementos básicos do universo desaperecerão: ar e terra e mar, e a luz do fogo incandescente; e a abóboda dos céus e a noite, os dias todos se fundirão em um, envolvidos na mais profunda escuridão. Tudo então se fundirá e novamente será separado através da purificação" Em grande gritos desaparececem deste mundo estas figuras do mal. que representam nossos temores mais básicos e são vozes de nossa insegurança existencial. Ibunt, ibunt, ibunt, impii in gehennam, FOGO ETERNO NOS ESPERA - ignis eterni!
4º Cena
Os anacoretas respondem com um veemente "Não" à ameaça do fogo eterno. Os acetas eremitas do deserto, eruditos dedicados à lamentação, chamam a ameaça de mentira e descepção, uma história infantil. Eles, os esclarecidos, rejeitam com sorrisos a religiosidade fundada na repressão, no medo e no terror. Foi-lhes dada uma formação claramente matemática: um grande telescópio, uma tela de radar que capta amor não adulterado. Esses calvos mestres , penitentes do deserto de início se exprimem na música de maneira puramente verbal. A única música dessa seção é a quinta vazia sobre o dó quando os anacoretas expressam sua esperança. "Unus solus deus ab aeterno in aeternum" Ouvimos essa quinta novamente um pouco depois, quando os meninos se juntam à música com seu otimista "Esaei" (Para sempre). Para os anacoretas é impossível que uma criatura possa ser eternamente condenada. eles não consideram nem mesmo Satã punido por toda a eternidade. O diabo ronda e desvia muitos, mas isso foi pretendido ou permitido por Deus Todo-Poderoso porque "Nihil contra deum, nisi deus ipse". Eles contradizem a afirmação das sibilas de que todo erro deve ser expiado no fogo do inferno depois dos tempos, no futuro. Enfatizam que a expiação ocorre "hic et nunc", em nosso tempo. Estes sábios ignoram, porém, o que virá no fim dos tempos.; eles também não tem resposta para o nosso objetivo, o nosso propósito último.
4º / 5º Cena
Eles, os lógicos, devem pedir um pedir um sonho que nos revele qual será o nosso fim. Esses gnósticos buscam um rico sono em sonhos, a fim de aprender como agnósticos como será o fim dos tempos. No acorde de cinco vozes de uma reiterada invocação do sonho divino dos hinos órficos, percebemos a impotência do que é puramente analítico e o poder da imaginação. "Deus nos manda profecia, Predição, Revelação de um sonho. Deus nos manda esse sonho" E o divino sonho alado envia-lhes o ansiado sonho.
6º Cena
O sonho dos anacoretas do fim dos tempos torna-se-nos visível: os últimos seres humanos saem dos buracos. A catástrofe no fim das idades ocorreu, o sol foi destruído. Contudo, Carl Orff não deu a esta última sessão de sua Comoedia o nome de Dies Irae, as palavras com que começa a sequência, mas Dies Illa, o dia em que os seres humanos são confrontados com o destino de que diariamente se aproxima em seus pensamentos. Como são os "últimos seres humanos"? Não são mais do que cabeças, orgãos reprodutores, nada além de automatos? Terá o produtor de criar um conceito de ficção científica? Na nossa apresentação eles vêm como formigas negras e perderam suas faces. Estão perdidos, abandonados, e todos os caminhos levam a nada. Estes últimos dos últimos rodam em círculos pelo globo vazio. "Foram enganados pela morte e estão profundamente perturbados por não terem sido preparados para o fim que os espera".
7º Cena
"Parati non sumus". A música se torna exasperada ante o grito das massas que perderam seus haveres e se lançam contra um céu vazio sobre uma terra vazia. O sonho dos anacoretas é muito semelhante ao pesadelo da humanidade e ao que as sibilas profetizaram. Os últimos seres humanos perdem o chão sob seus pés e não podem se sustentar: "Estamos caindo, caindo, caindo, caindo pra fora do tempo no fim dos tempos." O carrossel da terra gira erraticamente e lança seus passageiros, já que não podem nela se agarrar, ao negro vácuo. Nada sobreviveu, nada permanece, "nihil restat", além do momento imediato que, por isso, eles resolvem aproveitar ao máximo. Essas pessoas sem caras só podem expressar o que quer que seja com máscaras - uma mascara mostrando uma cara alegre, outra um grito de horror. Sem máscaras não são pessoas os últimos seres humanos.
8º Cena
Estes últimos seres chamam, imploram, pedem, gritam por piedade na noite gélida. Gemem um Kyrie para o céu, que já não responde. Aguardam ansiosamente uma resposta e esperam o julgamento do Poderoso. Querem que ele, com sua força, acabe com o terror que sentem, mas o céu se desintegrou e o homem está só. Já não pode haver díalogo, o homem não recebe palavra nem veredito, ou sentenca. A Criação estea silenciosa. Deus recusa-se a responder. O homem se aflige com o mais profundo horror: "Angor, timor, horror, ac pavor, invadit omnes". Mas Lucifer, que certa vez foi nos enviado por Deus para nos dar a luz, o portador de luz cujo reino se tornou o lugar da escuridão porque ele pretendeu ser Deus, este responde.
9º Cena
Surgem as chamas de Tártaro. As pessoas se aterrorizam, acreditando que as portas do inferno estão por se abrir. Alarmados, não pensam no propósito de purificação pelo fogo. Dissolverei tudo e separarei tudo para a purificação", haviam proclamado as sibilas como sendo a palavra de Deus. O chefe do coro tenta sublevar o povo com palavras dos Carmina Burana, mas ele também é vencido pelo terror quando vê o olho que nos vigia. Não é o olho trino da Divindade, mas
OCULUS ASPICIT UNOS TENEBRARIUS TENEBRIS
O OLHO NEGRO NOS CONTEMPLA COM A ESCURIDÃO.
10º Cena
O olho é despedaçado e o "atributo corporal" é projetado para frente como sob o impulso de uma catapulta. O inacreditável acontece: Lúcifer confessa três vezes "Pater peccavi". Em seguida à sua confição, os trompetes proclamam a quinta sobre o dó. Embora todos os outros seres não tenham face, Lúcifer, portanto os emblemas de bestas que conhecemos do Apocalipse, é a única criatura que não perdeu seu rosto. A instrução de Orff dada ao cenário é a seguinte: "Um raio de luz ilumina a máscara, que cái e revela uma face suave, o casaco e as garras caem, retira o capacete e o cabelo se espalha em ondas vermelhas. Ele é de novo o Lúcifer de antigamente." Os seres humanos jea não tem faces moldadas segundo a imagem de Deus, mas essa imagem foi preservada por Lúcifer. Ele começa o Restitutio que põe ordem de novo à existência. A voz da terra, vox mundana, proclama a partida para uma nova região. Venio ad Te, Tu paraclitus est sum finis e as vozes celestiais voces caelestes, proclamam a nova união do espírito e da matéria.
11º Cena
A destruição, a dissolução do mundo é o meio radical de salvação, para para que possibilite um retorno ao estado primordial. Essa condição é puro espírito. Mas como deve ser representado o puro espírito? Orff sugere luz sempre crescente, mas mesmo as mais poderosas fontes de poder não seriam capazes de produzir efeito suficientemente radiante. Nós de novo mostramos o homem em sua sectio aurea, mostramos como ele é transformado numa figura matemática, e como isso por sua vez se dissolve na luz. Luz que concentricamente enche o disco elevado do palco. Uma nova manhã encerra a vigília e tudo recomeça. Na seção conclusiva da música as violas tocam notam de igual valor, indicando que o estado primordial foi restaurado. Orff quis que Deus fosse visto não como um vingador mesquinho, fosse visto como um Deus que não percegue o culpado além dos nossos tempos mas nos permite livrar-nos dos erros em nossos próprios dias.
Essa ópera utiliza uma incrível não usual combinação de instrumentos: • 6 flautas; • 3 clarinetes em Eb • 3 clarinetes em Bb • 1 clarone • 6 trompas em F • 8 trumpets em C • 6 trombones • 3 harpas • 3 pianos com dois pianistas cada • 1 orgão eletrônico • 1 tuba • 4 violas da gamba • 8 contrabaixos • uma enorme seção de percussão (100 instrumentos ao todo para uma média de 25 à 30 músicos) que inclui: • 2 caixas • 6 pandeiros • 3 tambores tenores • 2 tambores baixo • 3 darabukkas (alto, tenor e baixo) • 3 tom-toms • 6 congas • 1 conga baixo • 4 "timpanettis" sem recurso de afinação; • 5 timpanos (3 com pratos) • 5 crotales • 5 pratos suspensos • 1 par de pratos crash • 3 copper tam-tams (40-60 centímetros de diâmetros) • 2 tam-tams grandes • 1 gongo afinado no baixo em C • 1 dobaci (tipo de sino japonês) afinado em C sustenido • 5 sinos de bronze afinados com intervalos de semitom • 2 set de sinos tubulares • 1 triangulo • 1 reco-reco • 1 whip • 1 par de maracas • 6 castanholas • 1 hyoshigi • 1 angklung • 3 wood bells • 5 wood blocks • 2 matracas (uma simples e outra dupla) • 3 matracas de igreja grandes • 4 copos com água • 2 glockenspiels • 1 lithophone • 1 metalophone • 3 xylophones • 2 marimbas
Gravações em fíta magnética podem ser ouvidas em 4 momentos distintos da ópera, em especial no momento da aparição de Lúcifer. Esses momentos são reforçados ao vivo por: - orgão - marimba - crotales - timpanos - solos de tenor e contralto - um grande coro emitindo um grito bem alto composto pela seção de tenores, duplo coro de sopranos e altos e um coro de crianças soprano.
Gravações em fíta magnética podem ser ouvidas em 4 momentos distintos da ópera, em especial no momento da aparição de Lúcifer. Esses momentos são reforçados ao vivo por: - um orgão de igreja - marimba - crotales - timpanos - solos de tenor e contralto - um grande coro emitindo um grito bem alto composto pela seção de tenores, duplo coro de sopranos e altos e um coro de crianças soprano.
Acima a versão sem graça do lançamento em cd.
CARL ORFF (1895 - 1982)
DE TEMPORUM FINE COMOEDIA ® 1974 Polydor International GmbH, Hamburg
Tracklist: 1 - 5 - I. AS SIBILAS 6 - 11 - II.OS ANACORETAS 12 - 18 - III. "DIES ILLA" - OS ÚLTIMOS HOMENS
Orquestra Sinfônica da Rádio de Colônia Regente Herbert Von Karajan
A única referência que encontrei à essa obra no youtube é falando sobre uma montagem moderna na Rússia. Vale à pena conferir. Pena que quase não se ouve a música:
Quem me conhece pode imaginar a minha felicidade quando me ví de frente com uma cópia dessa pérola em vinil num sebo em minha cidade natal Juiz de Fora. A capa da frente com essa ilustração maravilhosa em nankim, o título da obra, também tudo à ver, mas caí pra trás mesmo quando ví a contra-capa...
Meu Deus!!!!!! Na hora pensei: é um disco de música eletrônica erudita, do jeito que eu gosto! Ví que era francês e do início dos anos 70... melhor impossível! Mesmo assim, sem poder ouvir, levei pra casa e fiquei aguardando o momento de voltar pra São Paulo e conferir do que se tratava. Enfim, dia 30 de dezembro, em companhia de meu mestre Yupo, que me fazia uma visita para trazer mais de suas absurdas pérolas que engrandessem esse blog, resolvemos ouvir enfim o disco cuja nossa referência era zero.
E mais uma grande surpresa me foi presenteada! Era uma obra prima! Começa com uma citação de música tradicional lembrando um estilo medieval onde sutilmente as melodias e os instrumentos demonstram manipulação eletrônica, com edições e filtragens.
Em seguida sutis frequências eletrônicas são combinadas com harmonia tradicional e cantos de pássaros. É o nascimento de Branca de Neve!
Soa bonito, mas será que só vai ficar nisso. De cara deu à entender uma certa linguagem popular, tipo música contando uma estória.
Parecia algo muito bacana do início de carreira do Jean-Michael Jarré (antes de Oxigene, tá?) e isso já era suficientemente bacana pra eu adorar o disco.
De repente a música foi ficando mais e mais estranha e as referências de música tradicional foram como se desmanchando. Eu e o Yupo só comentando: "Noooossa, interessante...!"
Uma deliciosa mistura de timbres acústicos reprocessados com frequências totalmente sintéticas alcançando alturas e texturas extremas vão tomando conta.
Delírio total!!!!!
Yupo chega à dizer: "Esse disco é muito bom mesmo! " Na hora me vem à cabeça: "Como isso foi parar num sebo em Juiz de Fora?" A realidade é que minha cidade natal já foi um importante pólo cultural e hoje, mais timidamente ainda é com muito menos iniciativas. Bem, afinal, não foi em São Paulo que eu aprendí à amar esse tipo de música...
Mais tarde, lendo com calma o encarte do disco descobrí que é uma trilha sonora para um balé com o mesmo nome do LP, para uma companhia dirigida por Joseph Russillo e que a obra era uma realização do Groupe Recherches Musicales de L'Istitute National de L'Audiovisuel, o tão famoso GRM.
Jacques Lejeune nasceu em 1940 em Talence. Sua formação é autodidata mas posteriormente chegou a estudar na Schola Cantorum. Estudou com Daniel Lesur, Pierre Schaeffer e Francis Bayle. Já nessa época tinha experiência de 10 anos em trabalhar com o GRM pesquisando improvisação e associação instintiva entre som e imagem. Mal sabia eu que se tratava de um grande nome da musica eletroacustica francesa, tipo um dos feras! É ótimo quando a gente não sabe tudo!
Esse trabalho ele descreve como sendo um diálogo com o coreógrafo Joseph Russillo de interação de linguagens, e que o LP, lógico, seria apenas uma versão auditiva do trabalho, mas que mesmo assim, possui um grande poder descritivo. As composições são como 14 ambientes sonoros preparados para contar a tal "História de Branca de Neve", que parece ser um interpretação livre da que conhecemos.
O por que do nome "FANTASMES"?
Segundo o amigo Mario Sader, ex-colega de trabalho, Fantasmes não tem nada à ver com Fantasmas e sim com Fantasia... tendendo mais para o sentido de "Fantasia Sexual"... Puxa...vivendo e aprendendo. Valeu Mario!!!!!
tracklist:
01 - Il était une fois : fanfare pour un prologue 02 - Naissance de Blanche-Neige 03 - Déploration de la mère de Blanche-Neige 04 - Rêverie de Blance-Neige 05 - Entrée et danse de la nouvele reine - Eloigment de Blanche-Neige par la reine 06 - Danse du miroir 07 - Traversée de la forêt par le chasseur et Blanche-Neige 08 - Solitude de Blanche-Neige dans la forêt nocturne 09 - Danse des nains devant Blanche-Neige endormie 10 - Apparition de la reine déguisée 11 - Défilé funèbre des nains 12 - Arrivée du prince et éveil de Blanche-Neige à la vie 13 - Marche de la reine au supplice 14 - Final à la cour du prince
Estes são os Chipmunks da Bossa Nova! O que são Chipmunks? São personagens criados baseados em pequenos mamíferos ou em animaizinhos fofinhos e pequeninos cujo efeito sonoro na voz de seus dubladores ou interpretes é produzido por efeito de pitch (uma afinação do som que funciona tanto pra deixar a voz acelerada e aguda, ou para transforma-la numa coisa lenta e monstruosa). Claro que esse recurso é uma coisa básica para uma série de outras coisas na música e nos efeitos sonoros desde o desenvolvimento da música concreta em meados dos anos 40. Alguns palhaços, se divertindo com o efeito chipmunk na voz criaram para crianças personagens se valendo desse recurso. Tico e Teco da Disney é o exemplo mais comum, mas houveram vários... os 3 Patinhos também é outro bom exemplo, quem se lembra? Numa época que esse efeito não era tão óbvio, e quando não era comum para qualquer pivete fazer isso em casa, esse tipo de piada agradava todas as gerações. Digamos que é uma herança cômica deixada pelo ilustríssimo senhor Pierre Schaeffer...
Aquí, os Bossinhas (pra não dizer: os bostinhas), entraram nessa onda obviamente com objetivos humorísticos.
eu só queria ouvir a cara do João Gilberto ouvindo isso...rs
Para completar o ciclo New Wave brasileira do início dos anos 80 não poderíamos deixar de citar a Gang 90. Banda liderada pelo visionário Julio Barroso, foi amplamente recebida pela mídia e pelo público. Talvez seja a coisa mais popular que vá figurar aquí no meu blog mas faço isso como uma homenágem. Principalmente por causa da versão bizarra de "Christine" do grupo inglês "Siouxsie and the Banshees", aquí nomeada de "Lilik Lamê" (?)... Talvez uma piada interna... talvez uma piada da época... vai saber...
Hoje, com certeza você poderá dizer: "como a tal da New Wave no Brasil era ridícula", mas tá aquí uma banda que se levava à sério pra caraaaaaammmmmmbaaaaaa!!!!! Talvez por isso eles hoje soem como os mais bizarros e patetas.
Totalmente antenados com a cena inglesa e européia, se auto consideravam especialistas supremos da modernidade. Eram do tipo que gostavam de colecionar e ter os discos mais descolados do momento. Mas não apenas pra curtir, mas para ter o poder!
Pense numa época em que não era nada fácil conseguir discos undergrounds, ou mesmo revistas dos gringos... Quem conseguia isso não estava nem um pouco afim de dividir amplamente como fazemos hoje com a internet.
Mas ser muquirana nos anos 80 era muito comum.
Eu mesmo já experimentei essa sensação.
Ter acesso à esse tipo de informação te fazia uma pessoa poderosa porque você podia usar aquilo tudo como forma de se dar bem.
Exemplos: a) garotas (era a prova física de que vc era um cara interessante, mesmo sendo um nerd horroroso);
b) centro das atenções (ter esse material te fazia ser um cara muito popular nas turmas e logo respeitado entre os colegas. atraía gente bacana ao seu lado);
c) poderia usar esses conhecimentos para encrementar a sua banda (no caso de você ser músico);
d) isso já te dava um caminho na vida: ser jornalista formador de opinião. Dessa forma você seria muito paparicado, pelos artistas ganharia muitos discos das gravadoras, e seria muitas vezes mais importante que os próprios artistas...
Esses eram os anos 80...
Mas não me entendam mal, eu acho a banda muito boa. O Azul 29 foi uma das bandas que conseguiu, por influência da eferfecência cultural estrangeira, a fazer um som pop com qualidade para as pistas de dança da época. Era uma nova época na música brasileira que tentava se equiparar ao cenário internacional, cada vez com menos sotaque brazuca!
A famosa "era digital" anulava todas as características étinicas dos povos onde o resultado era toda uma humanidade robotizada "pensado em chips"!
E lá estava nas cabeças o produtor e engenheiro de som Pena Schmidt. Tava sempre na vanguarda, mas era esperto. Não havia ingenuidade nos seus atos.
Entre os dois compactos nota-se uma clara diferença, o segundo é mais eletrônico e as canções são mais limpas e diretas. Talvez por essas características, a banda se apresentou bastante na tv. Eles estavam indo bem polidos na onda moderna digital da época, e eram freaks suficientes para dar audiência (que é a coisa mais importante num canal de tv).
Um capítulo à parte era o jeito de cantar do vocalista Thomas... mas isso parece que foi uma doença da época. ainda não entendí de onde isso vêio. Uma busca por um novo jeito de cantar, ou uma imitação mal feita de artistas gringos...?
Agora, pra rachar mesmo o bico de tanto rir, assistam esse video em duas partes sobre a banda e a época e digam se eu estou exagerando.