sábado, 27 de setembro de 2008
Mrs. MILLER's - GREATEST HITS - 1966
01 - Downtown
02 - The Shadow of Your Smile
03 - A Hard Day's Night
04 - Dear Heart
05 - Chim Chim Cher-EE
06 - These Boots Are Made For Walkin'
07 - A Loves's Concerto
08 - Let's Hang On
09 - Catch A Falling Star
10 - Gonna Be Like That
11 - My Love
Que americano é um povo maluco, toooooodo mundo sabe!
Sabe-se também que dessas maluquices na música, muita coisa é realmente interessante.
Mrs. Miller é um desses casos.
Dona de uma não invejavel voz bizarra, essa senhora, não mais viva nos dias de hoje, lançou 4 LPs.
Embora pelo título não pareça, este é o seu primeiro album.
Antes disso ela gravou alguns compactos totalmente independentes e caseiros, mas esse disco não é
uma coletânea deles.
O título foi uma brincadeira do produtor, Lex de Azevedo.
Ao ouvir esta brilhante interpretação de clássicos como : Downtown, The Shadow of Your Smile, A Hard Days Night, These Boots Are Made For Walkin' onde cada nota da melodia possui um caprichado vibrato, será impossível manter sua cabeça quieta, sem acompanhar o movimento de ondulação da voz.
Maravilhosos são os momentos em que ela "perde o tempo", porque seria impossível encaixar os vibratos em todas as notas... mas ela o faz!
Uma genialidade e um talento não reconhecido, nem por mim e imagino que nem por vocês.
Minha pergunta é: Ela sabia que era uma piada?
Fontes seguras me informaram que não, pelo menos até o terceiro disco.
O quarto disco, que pretendo postar aquí tb, é a sua fase psicodélica!!!!!!! Imagine!!!!!!!!!
Você poderá ver essa "gata" numa espetacular participação especial num filme (não sei informar qual) no video abaixo:
Uma coisa precisa ser dita sobre a sensacional Mrs. Miller, sua simpatia somado ao seu maravilhoso grau de bizarrice, realmente chega à agradar ao publico. Confira mais essa participação dela nos filmes B Hollywoodianos:
http://www.mediafire.com/?wmkoakhkyya
A LOJA SILVER MACHINE
Começo agora um tipo de guia de lojas de vinis bacanas da cidade de São Paulo.
Ao invéz de esconder essas informações, como fazem os colecionadores mais radicais ou antiquados.
Como um incetivo aos lojistas e aos amantes de música, eu tento aquí prestar este serviço informal e sem nenhum fim lucrativo.
Começo por esta loja que eu gosto muito. Por que eu gosto muito? Porque encontrei nela não só um amigo muito divertido, mas também um cara que conhece bastante de música e que sempre tem algo inesperado e inteligente pra me mostrar.
Falo dessa pessoa aí abaixo, o dono da loja...o Rodrigo.
Aquí exibindo um disco de sua própria coleção que eu quero muito ter: a trilha do filme "o planeta proibido"
A loja sempre tem coisas muito interessantes de Rock Clássico, Jazz, Free-Jazz, MPB 60's e 70's, Garage, Progressivo, Krautrock, Folk, R.I.O., Punk, Dub e Industrial.
Vale à pena dizer que estilo você gosta mais e pedir dicas ao Rodrigo que ele sempre vai te mostrar algo bacana.
Mas, o melhor de uma boa loja de vinis é que não existem regras para o que você pode encontrar lá.
Já fiz ótimas aquisições de artistas e gêneros totalmente inesperados.
O legal é a sensação de que tudo pode acontecer.
Não espere encontrar coisas muito significantes em DVD, mas sempre existe algo bacana em CD, ou até alguma raridade
para colecionadores em CD-R.
A localização da loja é na nova Mecca do Vinil de SP:
Rua Sete de Abril
Galeria Nova Barão - Rua Alta - LOJA 68-A
contato: silvermachinediscos.sp@gmail.com
Abra sua cabeça e conheça coisas diferentes e de altíssima qualidade do estilo que você mais ama!
sábado, 13 de setembro de 2008
GOEMON - Levemente Perverso DEMO TAPE - 1993

Não apenas por motivo de "Completismo" (quem é realmente fanático por colecionar música sabe do que eu estou falando), aquí está mais uma pérola perdida do lixão do ódio e da malemolência nipo/new wave RPM do inferno brazuca internacional.
Destilando meu delicioso despreso pela humanidade, Rui Mifune, por nós e pela velha rua augusta conhecido por Goemon, mostra que ainda tinha muito mais à dizer com mais apenas quatro músicas registradas apenas em cassete.
Essa coisinha engraçadinha que as pessoas costumavam chamar de "fita demo".

01 - meu porno-filme
02 - junkies - vida bagaço
03 - superstar
04 - harumy tchans
Ficha Tecnica:
Vocal: Goemon
Guitarra Líder: Renato Luiz Consorte
Baixo: Alex Theodoro Mifune
Guitarra Base: Max Theodoro Mifune
Bateria: Paulo Mello
Backing Vocal: Alex Theodoro Mifune
Felix Theodoro Mifune e Goemon
Arranjo - Renato Luiz Consorte e Goemon
Tecnico de Gravação - Ezequias Aureliano
Gravado no Estúdio Guidon - 24 canais
http://www.mediafire.com/?ulfkcmgcyhh
Completismo nosso, saciado com a ajuda do amigo e Teacher: James William, que nos apresenta inclusive um video do nosso anti-herói participando da produção cinematográfica nacional CIDADE OCULTA como um galante cantor de karaokê do bairro Liberdade. Coisa bonita de ser ver...
Ao fim da cena entra o galã do filme, o maestro do atonalismo (ele adora dizer dodecafonismo) pop ARRIGO BERNABÉ.
Curiosidade: um dos irmãos do Goemon toca no disco "Clara Crocodilo", completismos à parte...
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
JOCY DE OLIVEIRA e a sua Música do Século XX - 1959
01) sofia suicidou-se
02) pecou a rosa
03) um assalto no morumbi
04) incendio
05) frida
06) brasília seculo 1
07) um crime
08) a lenda da chuva
09) o sorriso da praia
10) mar de sal
11) a morte do violão
12) e a chuva nasceu
13) samba gregoriano
Uma brincadeira bem cínica com a Bossa Nova?
Muito, mas muito mais que isso.
Tem mais à ver com uma insatisfação de querer ver as coisas de forma mais crítica,
mais moderna e contemporênea.
Em 59 a bossa nova já era velha pra a moça recém casada Jocy de Oliveira Carvalho.
Seu então marido, Maestro Eleazar de Carvalho (hoje falecido) não suportava mais a situação de
sua bela esposa sair à noite e só voltar às 7 da manhã em casa porque estava gravando
seu primeiro disco.
Um dia ele resolveu ir até o estúdio pra entender o que estava se passando e lá ele encontrou
ótimos músicos que sabiam ler música, mas que mesmo assim não conseguiam interpretar
o que sua autora pretendia com suas dissonâncias e fragmentados tempos musicais.
Rapidamente ele assumiu a batuta e naquela mesma noite regeu e gravou todas as faixas desse LP.
Informação essa que não consta na capa desse disco, porque aquele trabalho ia pegar muito
mal pra reputação do maestro.
Outra coisa que a capa não diz é que o flautista era nada mais, nada menos que Altamiro Carrilho.
Lançado o disco pelo selo Copacabana (CPL 11188) veio a grande decepção... ninguém entendeu...
A crítica assassinou essa obra...
Sua contracapa dizia:
{A Copacabana, lançando o L.P. da jovem artista Jocy de Oliveira numa série de 12 hign lights,
orgulha-se de ser a pioneira em apresentar este novo estilo vanguardista da música popular brasileira,
onde o plano melódico é independente do ritmo e da sua maneira pessoal de harmonização.
Valorizando o nosso samba com uma dialética simples e original, Jocy de Oliveira criou um novo
ritmo para a nossa música e um novo estilo, diferente do samba tradicional e do samba "bossa nova" -
"o samba de vanguarda".}
E ainda segue um extenso texto de autoria de um legítimo integrante da Academia Brasileira de Letras,
o ilustríssimo Sr. Menotti del Picchia só engrandecendo a jovem compositora.
Nem isso ajudou que as pessoas se interessarem pela obra ou acrescentou alguma relevância no cenário catatônico da Bossa, com seus banquinhos, barquinhos, praias, sol e sereias transeuntes que faziam os velhos babões delirar. O mundo já era belo demais, e não precisava de nenhuma dissonância ou questionamento.
Jocy que já era muito respeitada no meio erudito como exímia interprete pianistica,
preferiu deixar esse disco para trás e apenas investir em sua carreira na música contemporânea.
Claro que seu grande vigor criativo à impediu de se tornar apenas uma interprete e tornou-se a
maravilhosa compositora que é hoje, mas isso já é uma outra longa história.
Quando eu descobrí que esse disco existia me desesperei.
Sou um especial fanático pela obra de compositores de musica contemporânea e de vanguarda
brasileiros dos anos 60 e 70. Já era um grande fã da obra da Jocy,
mas nunca podia imaginar que ela já tinha flertado com a música popular em disco.
Nem me lembro onde foi que eu ouví falar dessa obra...
Logo busquei um colecionador que tinha uma cópia em cd-r que me agraciou com uma cópia.
Tempos depois, fiz amizade com um grande pesquisador da música exótica, obscura,
de vanguarda, revolucionária e bizarra do mundo.
Um verdadeiro especialista que hoje tenho como meu mestre. YUPO TOZUKA.
Ele tinha nada mais e nada menos que 6 cópias em vinil dessa pérola, que guardava com o
objetivo de passar para verdadeiros apreciadores da obra de Jocy.
Temia ver esse disco colocado como uma mera curiosidade em catálogos depreciativos japoneses.

Yupo posando com sua coleção.
Não apenas me presenteou com uma boa cópia, mas também me deu a missão de oferecer
uma outra em bom estado para a propria autora.
Hoje tem a sua cópia autografada por Jocy, como mostra a foto abaixo.

A própria Jocy adorou ser presenteada com uma das cópias e ainda brincou:
"Está tão novo que parece que você fez uma cópia pirata!"
Chegou o tempo de se ouvir esse disco.
Ele foi criado em 1959 na verdade para ser ouvido e apreciado hoje.
Com muito orgulho e devoção, apresento à vocês!
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Disco da cantora francesa mais linda, inteligente, coerente e chique: FRANÇOISE HARDY.
Esse disco 10 polegadas me foi trazido por um grande amigo da itália.
Foi comprado num sebo lá.
As cantoras mais populares nos anos 60 costumavam a gravar em varios idiomas para atingir o mercado fonográfico em outros países.
Esse é caso legítimo nesse sentido.
Françoise canta a maioria das musicas em Alemão, e "Tous les garçons et les filles" vira "Peter und Lou".
Destaque para a belíssima "La Mer", nesse caso cantada em francês.
Musica de repertório mais clássico aquí interpretada pela até então adolescente Françoise.
domingo, 17 de agosto de 2008
C.O.M.A. - CLINIK ORGANIK MUZAK ANATOMIK - FRANCE 1979
tracklist:
01 - Introx
02 - Parking Nord
03 - Le Roi Des Voleyrs
04 - Tete De Come
05 - Femme-Robot
06 - Coma
07 - Assaut
08 - Verre
09 - Hypnose
10 - La Valse A Mutant
11 - Consequences
12 - Demain
Banda francesa que no final dos anos 70 misturava elementos eletrônicos ao punk! Eles tinham um jeito bem peculiar, manual e cru de sincronizar os elementos ritimicos eletronicos com os feito ao vivo com bateria, baixo distorcido e guitarras.
Eram de uma época onde a criatividade valia mais e a liberdade de mistura com outros elementos era sempre bem vinda, como a gaita usada em "Le Roi Des Voleyrs". Destaque pra faixa "Assaut", um pré-Ministry muito muito antes!
GOEMON - 1985
01 - cachaça, rock banchá
02 - eu sentí o cão
03 - paola
04 - adeus vitrines
05 - de porrada em porrada
06 - o problema é o lixo, né?
07 - belzebu, satã tinhoso
08 - bom guru
09 - a boneca do meu sonho
10 - sacana's blues
Japão, Sec. XVILegendário marginal japonês, figura altamente subversiva, roubava dos ricos e distribuia aos pobres. Preso, foi condenado a ser fervido até a morte, em praça pública, juntamente com seu filho ainda impúbere. Para aliviar seu filho da morte lenta e dolorosa, ergueu-o nos braços e sustentou-o acima de sua cabeça. Goemon, suportou o calor do óleo que ia fervendo. Esperou até o limite, para só então, mergulhar o filho, pisoteando-o violentamente, dando-lhe a morte instantianea. as autoridades da época, para calar a revolta popular, divulgaram que Goemon ante o insuportável medo da morte, usou seu filho como escada, na desesperada e covarde tentativa de proteger sua própria vida.
Goemon Brasil: ...Meu rock, é a poética da realidade feia e agressiva... É pra dançar, ao som da crise, que faz a relação humana entrar em decomposição...
Um marginal, ele próprio, produto híbrido de uma cultura milenar, com esta miscelânea euro-africana digerida com muita coca-cola. Um artista visceral, canta e assina as dez faixas de um LP dilacerante.
Uma obra prima de reflexão do universo marginal, embalada por um som moderno, aliciante que desconcerta em sua contundência.
Cercado de músicos monstruosamente competentes, abre um leque de ritmos - funk, blues, new-wave, soul - numa fusão genial. Algo novo! Pulsante e inteligente, que soa rock o tempo todo...
Violento e viril.
Claustrofóbico, polémico - Goemon sugere insidioso em suas obras, um beco - sem? Com saída...Somente, através de uma revolução anárquica.
em BELZEBÚ SATÃ TINHOSO, canta a analogia entre o cristianismo e a ditadura. A fugacidade e a inútil vaidade de falsos ídolos, em BOM GURU.
A lute de classes na sociedade de consumo, no moólogo provocante de um assaltante estuprador eventual, em frente à um delegado, em EU SENTÍ O CÃO
A intolerância e o preconceito em PAOLA, um travestí romântico.
A incapacidade de comunicação homem-mulher, no drama de um cara que prefere amar uma boneca inflável, abordada com grande sutileza, em A BONECA DE MEU SONHO
Parafraseando um ex-ministro da educação, faz um retrato drameatico desta juventude-clone, criada pelo sistema, situando como vítima Mark Chapman, o algoz de John Lennon, num trocadilho no mínimo original, na lacinante O PROBLEMA É O LIXO, NÉ?
A força e a arrogância do verdadeiro marginal, um bêbado que manda o mundo às favas, na sublime ADEUS VITRINE.
E assim vai. Num desfilar de obras chapantes, emolduradas em inspiradas melodias, algumas de rara beleza.
Sua poesia de linguajar raivoso e explícito aliado a um humor cáustico e cortante, resulta em uma poética sutil e brilhante em sua criatividade.
Fere dogmas e valores falidos do sistema, sem usar o artifício de gracinhas pseudo-intelectuais, utilizando de extrema habilidade, os próprios cânones ditatoriais e fascistas que regem nossa sociedade.
Dono de uma voz possante, domina um tipo de emissão incomum, que vem do baixo ventre, ora grave rascante, ora aguda ou gutural - Goemon destila seu inconformismo out sider, criando climas arrepiantes: de ódio, medo, ironia e paixão.
Jamais o português soou assim no rock! Sonoro e fluente.
que grande ironia...Goemon é um quase-sansei, filho de japonês com uma nissei. neto de uma nobre com um plebeu - por parte de pai e de um aristocrata falido e sonhador com uma grande batalhadora - por parte de mãe.
espero ...o rock nacional jamais será o mesmo, após GOEMON
Seu disco foi lançado pela extinta gravadora MPA da rua augusta de são paulo. foi gravado no estúdio VICE-VERSA fundado pelo grande maestro Rogério Duprat.
Tem Arranjos e Teclados por Glauco Sajebin;
Baixo por André Gomez;
Guitarra por André Fonseca (do genial grupo PATIFE BAND);
Bateria por Paulo Farat
A foto da capa é de Oscar Bastos, mas a consepção é do próprio Goemon
http://www.sendspace.com/file/gwcd44
repostado em 1 de setembro de 2011







