quinta-feira, 11 de setembro de 2008

JOCY DE OLIVEIRA e a sua Música do Século XX - 1959


jocy---MSXX, originally uploaded by paulobeto2008.

http://www.mediafire.com/?gjittzjtmbj

01) sofia suicidou-se
02) pecou a rosa
03) um assalto no morumbi
04) incendio
05) frida
06) brasília seculo 1
07) um crime
08) a lenda da chuva
09) o sorriso da praia
10) mar de sal
11) a morte do violão
12) e a chuva nasceu
13) samba gregoriano

Uma brincadeira bem cínica com a Bossa Nova?
Muito, mas muito mais que isso.
Tem mais à ver com uma insatisfação de querer ver as coisas de forma mais crítica,
mais moderna e contemporênea.
Em 59 a bossa nova já era velha pra a moça recém casada Jocy de Oliveira Carvalho.
Seu então marido, Maestro Eleazar de Carvalho (hoje falecido) não suportava mais a situação de
sua bela esposa sair à noite e só voltar às 7 da manhã em casa porque estava gravando
seu primeiro disco.
Um dia ele resolveu ir até o estúdio pra entender o que estava se passando e lá ele encontrou
ótimos músicos que sabiam ler música, mas que mesmo assim não conseguiam interpretar
o que sua autora pretendia com suas dissonâncias e fragmentados tempos musicais.
Rapidamente ele assumiu a batuta e naquela mesma noite regeu e gravou todas as faixas desse LP.
Informação essa que não consta na capa desse disco, porque aquele trabalho ia pegar muito
mal pra reputação do maestro.

Outra coisa que a capa não diz é que o flautista era nada mais, nada menos que Altamiro Carrilho.

Lançado o disco pelo selo Copacabana (CPL 11188) veio a grande decepção... ninguém entendeu...
A crítica assassinou essa obra...
Sua contracapa dizia:
{A Copacabana, lançando o L.P. da jovem artista Jocy de Oliveira numa série de 12 hign lights,
orgulha-se de ser a pioneira em apresentar este novo estilo vanguardista da música popular brasileira,
onde o plano melódico é independente do ritmo e da sua maneira pessoal de harmonização.
Valorizando o nosso samba com uma dialética simples e original, Jocy de Oliveira criou um novo
ritmo para a nossa música e um novo estilo, diferente do samba tradicional e do samba "bossa nova" -
"o samba de vanguarda".}
E ainda segue um extenso texto de autoria de um legítimo integrante da Academia Brasileira de Letras,
o ilustríssimo Sr. Menotti del Picchia só engrandecendo a jovem compositora.

Nem isso ajudou que as pessoas se interessarem pela obra ou acrescentou alguma relevância no cenário catatônico da Bossa, com seus banquinhos, barquinhos, praias, sol e sereias transeuntes que faziam os velhos babões delirar. O mundo já era belo demais, e não precisava de nenhuma dissonância ou questionamento.

Jocy que já era muito respeitada no meio erudito como exímia interprete pianistica,
preferiu deixar esse disco para trás e apenas investir em sua carreira na música contemporânea.
Claro que seu grande vigor criativo à impediu de se tornar apenas uma interprete e tornou-se a
maravilhosa compositora que é hoje, mas isso já é uma outra longa história.

Quando eu descobrí que esse disco existia me desesperei.
Sou um especial fanático pela obra de compositores de musica contemporânea e de vanguarda
brasileiros dos anos 60 e 70. Já era um grande fã da obra da Jocy,
mas nunca podia imaginar que ela já tinha flertado com a música popular em disco.
Nem me lembro onde foi que eu ouví falar dessa obra...
Logo busquei um colecionador que tinha uma cópia em cd-r que me agraciou com uma cópia.

Tempos depois, fiz amizade com um grande pesquisador da música exótica, obscura,
de vanguarda, revolucionária e bizarra do mundo.
Um verdadeiro especialista que hoje tenho como meu mestre. YUPO TOZUKA.
Ele tinha nada mais e nada menos que 6 cópias em vinil dessa pérola, que guardava com o
objetivo de passar para verdadeiros apreciadores da obra de Jocy.
Temia ver esse disco colocado como uma mera curiosidade em catálogos depreciativos japoneses.

IMG_0523
Yupo posando com sua coleção.

Não apenas me presenteou com uma boa cópia, mas também me deu a missão de oferecer
uma outra em bom estado para a propria autora.

Hoje tem a sua cópia autografada por Jocy, como mostra a foto abaixo.

IMG_0067

A própria Jocy adorou ser presenteada com uma das cópias e ainda brincou:
"Está tão novo que parece que você fez uma cópia pirata!"

Chegou o tempo de se ouvir esse disco.
Ele foi criado em 1959 na verdade para ser ouvido e apreciado hoje.
Com muito orgulho e devoção, apresento à vocês!

11 comentários:

Pedro disse...

não está funcionando, cara. Sugiro upar esse CD num rapidshare ou easyshare da vida. Eles sao mais grantidos

pb disse...

Pedrão,
não é possível cara.
Eu tento aquí e vem maravilhosamente.
Curto o mediafire porque ele é simples e direto e não fica te enchendo com pop-ups e propagendas desagradáveis.
Espero que vc se acerte com ele ae!
abraço!

lucas disse...

fala PB!! BLEZA?! é o lucas! faz tempo que to pra postar aqui!
Hoje eu tava aqui nas pesquisas e acabei descobrindo que o LP da Jocy é de 1961 e não 59. Ta nesse genial site que descobri bem recentemente: http://139.82.56.108/discografia.asp
Como é uma listagem disco a disco de cada selo acho remoto que se enganem. Abração.. massa teu canto!!
Lucas

dELáPRaCá disse...

legal, cara! parabéns por este trabalho de garimpagem da vanguarda. que venham mais histórias como esta da gravação do LP da Jocy Oliveira!

joana disse...

muito obrigado por isso, é maravilhoso!

Marcelo disse...

Bom dia.
Há tempos venho tentando contactar o Yupo (estudamos juntos) sem sucesso. Poderia, por gentileza, fornecer um meio de contato ou mesmo passar meu email a ele?
Muito Obrigado.
Marcelo

Paulo da Figaro disse...

Olá. Interessado pela obra da Joci, minha conterrânea, encontrei inúmeras fotos dela do tempo em que era ainda menina e pianista prodígio. Pergunto-lhe se não teria interesse em vender ou trocar um dos discos duplicatas que possui. Grande abraço.
Paulo. figaro@sebofigaro.com.br

mok Groove disse...

gostaria de adiquirir uma cópia desse LP, onde encontro? você ainda tem duplicado para me vender uma cópia?

Anônimo disse...

Gracias desde Barcelona por postear a esta maravillosa artista. Obrigado

Anônimo disse...

Eu me lembro bem deste disco e do "escândalo" quando do seu lançamento.No mesmo ano 1961,o Teatro dos Sete encenou uma peça-monólogo de vanguarda de Jocy"Apague meu Spotlight" com...Fernanda Montenegro!Eu tinha 19 anos e não tinha grana para ir a teatros.Mas é verdade: a crítica da época arrasou com o disco.Havia um programa na Tupi-Difusora de São Paulo, "Discos em Mesa Redonda" que reunía todos os "disc-jockeys" inclusive de outras emissoras algumas fora dos Diários Associados.Lima Duarte,p.exemplo espumava de indignação,ele que já era anti-bossa nova do Bloco do Tinhorão.
Nunca comprei o disco,sempre devido a grana curta.Havia outras prioridades.Mas em 1968 ganhei uma cópia arranhada.O que acho?Bem,Jocy a gravar pela Copacabana,nem deveria tê-lo gravado.Gravações de Elizeth,Ângela Maria,Dolores Duran,há que se abstrair os arranjos p/ver as intérpetes que foram.Jocy não canta bem.E os arranjos,horríveis.Há coisas interessantes como "Um Crime","Sofia suicidou-se" e um curioso "Um Assalto no Morumbi",onde ela canta em dueto c/um sujeito que sussurra "pega,pega,pega ladrão".O resto, que desculpem,é pretensão mais má interpretação.E olhem que gosto de gente como essa turma nova da Vanguarda Paulista,Eduardo Tatit e outros.Mas esse disco aí eu o tenho por curiosidade.
Era querer muito fazer algo assim,em pleno reinado de Adelino Moreira,Nelson Gonçalves,Lana Bittencourt,Celly Campelo,Giane (Dominique,nique,nique) e onde o pessoal da "bossa-nova"era hostilizado e boicotado, sistematicamente.Juca haves também levou muitas pedradas,mas abriu os caminhos para o cantar macio com suas sátiras.
Sinceramente, fazer música popular, que os populares(povo) não entendem,é suicídio artístico.E quanto a essa lista enorme de óperas e outras obras,pior ainda.É o jogo do perdedor (análise transacional) na música.Como dizia uma paciente de Karen Horney;"o mundo é horrível, cheio de realidades",

Filipe Pereira disse...

Olá! Gostaria muito de ouvir o achado, mas o link não funciona! Alguém pode me ajudar? Obrigado!

 
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