http://www.mediafire.com/?gjittzjtmbj01) sofia suicidou-se
02) pecou a rosa
03) um assalto no morumbi
04) incendio
05) frida
06) brasília seculo 1
07) um crime
08) a lenda da chuva
09) o sorriso da praia
10) mar de sal
11) a morte do violão
12) e a chuva nasceu
13) samba gregoriano
Uma brincadeira bem cínica com a Bossa Nova?
Muito, mas muito mais que isso.
Tem mais à ver com uma insatisfação de querer ver as coisas de forma mais crítica,
mais moderna e contemporênea.
Em 59 a bossa nova já era velha pra a moça recém casada Jocy de Oliveira Carvalho.
Seu então marido, Maestro Eleazar de Carvalho (hoje falecido) não suportava mais a situação de
sua bela esposa sair à noite e só voltar às 7 da manhã em casa porque estava gravando
seu primeiro disco.
Um dia ele resolveu ir até o estúdio pra entender o que estava se passando e lá ele encontrou
ótimos músicos que sabiam ler música, mas que mesmo assim não conseguiam interpretar
o que sua autora pretendia com suas dissonâncias e fragmentados tempos musicais.
Rapidamente ele assumiu a batuta e naquela mesma noite regeu e gravou todas as faixas desse LP.
Informação essa que não consta na capa desse disco, porque aquele trabalho ia pegar muito
mal pra reputação do maestro.
Outra coisa que a capa não diz é que o flautista era nada mais, nada menos que Altamiro Carrilho.
Lançado o disco pelo selo Copacabana (CPL 11188) veio a grande decepção... ninguém entendeu...
A crítica assassinou essa obra...
Sua contracapa dizia:
{A Copacabana, lançando o L.P. da jovem artista Jocy de Oliveira numa série de 12 hign lights,
orgulha-se de ser a pioneira em apresentar este novo estilo vanguardista da música popular brasileira,
onde o plano melódico é independente do ritmo e da sua maneira pessoal de harmonização.
Valorizando o nosso samba com uma dialética simples e original, Jocy de Oliveira criou um novo
ritmo para a nossa música e um novo estilo, diferente do samba tradicional e do samba "bossa nova" -
"o samba de vanguarda".}
E ainda segue um extenso texto de autoria de um legítimo integrante da Academia Brasileira de Letras,
o ilustríssimo Sr. Menotti del Picchia só engrandecendo a jovem compositora.
Nem isso ajudou que as pessoas se interessarem pela obra ou acrescentou alguma relevância no cenário catatônico da Bossa, com seus banquinhos, barquinhos, praias, sol e sereias transeuntes que faziam os velhos babões delirar. O mundo já era belo demais, e não precisava de nenhuma dissonância ou questionamento.
Jocy que já era muito respeitada no meio erudito como exímia interprete pianistica,
preferiu deixar esse disco para trás e apenas investir em sua carreira na música contemporânea.
Claro que seu grande vigor criativo à impediu de se tornar apenas uma interprete e tornou-se a
maravilhosa compositora que é hoje, mas isso já é uma outra longa história.
Quando eu descobrí que esse disco existia me desesperei.
Sou um especial fanático pela obra de compositores de musica contemporânea e de vanguarda
brasileiros dos anos 60 e 70. Já era um grande fã da obra da Jocy,
mas nunca podia imaginar que ela já tinha flertado com a música popular em disco.
Nem me lembro onde foi que eu ouví falar dessa obra...
Logo busquei um colecionador que tinha uma cópia em cd-r que me agraciou com uma cópia.
Tempos depois, fiz amizade com um grande pesquisador da música exótica, obscura,
de vanguarda, revolucionária e bizarra do mundo.
Um verdadeiro especialista que hoje tenho como meu mestre. YUPO TOZUKA.
Ele tinha nada mais e nada menos que 6 cópias em vinil dessa pérola, que guardava com o
objetivo de passar para verdadeiros apreciadores da obra de Jocy.
Temia ver esse disco colocado como uma mera curiosidade em catálogos depreciativos japoneses.

Yupo posando com sua coleção.
Não apenas me presenteou com uma boa cópia, mas também me deu a missão de oferecer
uma outra em bom estado para a propria autora.
Hoje tem a sua cópia autografada por Jocy, como mostra a foto abaixo.

A própria Jocy adorou ser presenteada com uma das cópias e ainda brincou:
"Está tão novo que parece que você fez uma cópia pirata!"
Chegou o tempo de se ouvir esse disco.
Ele foi criado em 1959 na verdade para ser ouvido e apreciado hoje.
Com muito orgulho e devoção, apresento à vocês!