domingo, 20 de setembro de 2009

Os Ovonautas - Compacto - Brasil - 1979

ovonautas folder

Frevo psicodélico espacial para crianças?
O início da primeira faixa realmente impressiona.
Logo a faixa toma uma forma tradicional de música
ruim feita pra criança no Brasil.
Mas que é bizarro é!
Quem foram esses malditos personagens que não
conheci mas já os odeio com todas as minhas forças?
Tudo parece um grande fruto de uma mente conturbada.

ovonautas back

O fato é que, quando vi esse disquinho na loja
não pensei 2 vezes em pegá-lo.
Esse é o tipo de coisa que os picaretas do mundo
do vinil chamariam de "psicodélico" para valorizá-lo.
Pura bobagem, mas que o instrumental é bem interessante
isso realmente é, apesar das músicas serem bem fracas.

ovonautas A

ovonautas B

Bem, mais uma deliciosa pérola para vocês não
acharem que esse blog só tem coisa boa.

ouça aqui

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

RRR 500 - anvil FX RRRemix 13.13.13.13.13 - Brasil/USA - 1998/2009

RRRcaparemix

Este é um trabalho de desconstrução, ou talvez re-construção baseado
num dos discos mais bizarros e bacanas que possuo em vinil, o RRR500.
Deixe-me explicar...
O material que eu aqui disponibilizo são remixes que eu mesmo produzi
e não o material original. Mas por que eu faria isso?
Vontade de aparecer?
Não...
Para que tudo se esclareça preciso falar antes do original.

RRRfolder

Numa das idas de Yupo ao Japão ele me consegue esse LP obra de arte,
serie limitada de 500 cópias em estado impecável que é uma coletânea
do selo underground, até então para mim totalmente desconhecido
o RRRecords.
Este selo americano é conhecido por apenas lançar trabalhos radicais
que incluem experimentações com o próprio suporte de reprodução.
O número 500 do título se refere à participação de 500 artistas envolvidos
com o selo ou apenas amigos ou gente que eles admiram na música.
São 250 artistas de cada lado, um loop de cada um.
Só que é impossível de ouvir este disco porque os loops são fechados.
Ao colocar a agulha no disco ela não sai do ponto em que você escolhe.
Os sulcos dos disco são anéis concêntricos e não uma espiral que leva
a agulha para o centro passando por todos os tracks como de costume.
Logo, você pode ficar colocando a agulha aleatoriamente e ouvindo
alguns loops mas nunca ouvir todos pois seria necessário uma precisão
cirúrgica para acertar todos os 250 sulcos de cada lado.
Anti-disco para Anti-música.
Uma maravilhosa pérola para se ter numa coleção.
Um vinil objeto de arte.
Me fascinou tanto a idéia que arrumei uma maneira de ouvi-lo.
Utilizando apenas meu toca disco conectado ao processador de efeito
de manipulação em tempo real da KORG, o KAOS PAD, fiz em casa
uma performance e gravei 6 tracks com aproximadamente 13 minutos cada.
Fiz o meu próprio disco de anti-música à partir do LP coletânea.
Ao meu entender é uma homenagem à RRR produzir esse remix conceitual
para trabalhos conceituais e a atitude conceitual do próprio selo.

Não sei precisar quanto tempo de atividade eles tiveram ou se ainda
estão em atividade, mas pelo que me lembro das palavras do MESTRE YUPO.
acredito que começaram no fim dos anos 70 ou início dos 80.
Abaixo o catálogo que data de 1998.

RRRcatalogA

RRRcatalogC

RRRcatalogB

Agora a relação de todos os artistas contidos no disco.
Impossível saber quais deles existem no meu remix...

RRRLIST01

RRRLIST02

RRRLIST03

RRRLIST04

Lembrando que meu trabalho foi feito todo em tempo real sem nenhuma
utilização posterior de computador.

Quem quiser se arriscar em entrar em contato com eles:

RRRMARC

Anti-disco Anti-música Anti-Remix
BAIXAR JÁ

terça-feira, 15 de setembro de 2009

PENDERECKI - DON CHERRY & The New Eternal Rhythm Orchestra - Alemanha - 1971

IMG_0444

Fico muito feliz quando tenho para oferecer para vocês uma
grande pérola sem precedentes.
Esse é um disco muito especial, me foi conseguido na última
feira de vinil em São Paulo no dia 07 de Setembro, sim a mesma
do video que eu postei abaixo.
O LP foi me trazido por Carlos Big Papa (primeiro a ser entrevistado
no video), dos Estado Unidos, país que ele morou muitos anos
justamente trabalhando com venda e produção de discos, especialmente
de Jazz.
Não é um disco muito comum de ser encontrado aqui no Brasil, ele foi
lançado na Alemanha pelo selo WERGO.
Quem também tiver uma cópia me dêem um sinal aqui.
O trabalho apresentado aqui foi feito por encomenda da Südwestfunk
(Southwestrn German Radio and TV Network).
Foi apresentado e gravado ao vivo no Donaueschingen Music Festival
em 17 de outubro de 1971. Ótimo ano, não?

don

Trata-se da New Eternal Rhythm Orchestra, conduzida por ninguém menos
que o compositor polonês e meu ídolo supremo KRZYSZTOF PENDERECKI.
Os músicos que tocam só tem gente fraquinha (pra não dizer o contrário):
PETER BRÖTZMANN - Tenor & Baritonsaxophone
GUNTER HAMPEL - Flute & Bassclarinet
TERJE RYPDAL - Guitar
HAN BENNINK - Drums, Chinease Woodblocks, Tabla, Thumb Piano,
percussion, plastic hose, horse jaw e etc.
e ainda:
MANFRED SCHOOF: trumpet & cornet
KENNY WHEELER - trumpet & cornet
TOMASZ STANKO - trumpet & cornet
PAUL RUTHERFORD - trombone
ALBERT MANGELSDORFF - trombone
GERD DUDEK - tenor & sopranosaxophone
WILLEM BREUKER - tenorsaxophone & clarinet
FRED VAN HOVE - organ on "Actions"
BUSCHI NIEBERGALL - bass
PETER WARREN - bass & electric bass

penderecki

O disco começa com a faixa "HUMUS - The Life Exploring Force" de autoria
de DON CHERRY cuja interpretação fica à cargo de:
DON CHERRY - pocket trumpet, chinese shuan flute, south american Maya bird,
flute and vocal.
LOES MACGILLYCUTTY - vocal
MOCQUI CHERRY - tambura

No todo, a orquestra reúne os mais renomados músicos da cena internacional,
americanos, ingleses, holandeses, belgas, noruegueses e um polonês.
Tanto Cherry com Penderecki atuam num ambiente diferente de seu
convencional, no caso do primeiro com a música indiana e o segundo com o jazz,
mas ambos trazem sua própria bagagem e personalidade dando a credibilidade
que seus nomes oferecem.
O trabalho foi desenvolvido durante os anos 1966 até 1970 quando foi apresentado.
Não é uma obra de improviso e sim uma grande experiência que une o jazz ao
erudito contemporâneo.
Parecia um milagre, e todos os jazzistas estavam céticos que Penderecki
aceitasse fazer o trabalho com eles, em vista de sua rejeição à obra
de outros compositores de sua classe.
Todos ficaram muito surpresos quando ele aceitou e o mesmo ainda se surpreendeu
com a performance dos jazzistas.
Desse encontro memorável só nos resta ouvir ajoelhados no milho com o ouvido
sangrando.
Aproveite!

Tracklist:
01 - HUMUS - THE LIFE EXPLORING FORCE
(Don Cherry)
02 - SITA RAMA ENCORES
(Trad./arranjado e adaptado por Don Cherry)
03 - ACTIONS FOR FREE JAZZ ORCHESTRA
(Krzysztof Penderecki)

ouça este momento histórico

domingo, 13 de setembro de 2009

MUNDO GROOVE DE PB - PB - Brasil - 2009

mundogroove

Mais uma coletânea de pérolas selecionadas, dessa vez com
foco no groove. Sabe? Tipo groove?
Acho tão abstrata essa definição...
Mas é isso ae, Groovis Baby!
Começa com o grande mestre dos mestres.

1) Sergio Malandro na vêia, cantando Deixa isso pra lá, um
clássico eternizado na voz de Jair Rodrigues mas confesso
que prefiro essa maliciosa versão.

2) Depois vem chegando outro brasileiro, o super trombonista
Raul de Souza que gravou o disco que tem essa música nos
Estados Unidos enquanto trabalhava de músico de estúdio por lá.
A composição é do amigo George Duke com o arranjo de Raul.

3) Meco vem arrepiando, baby com a suite do lado B de seu disco
inspirado no Mágico de Oz.
Começa como se fosse um Hit de Dark Disco e termina com o
tema do filme escancarando emoções.
É a hora que arrepia geral.

4) Falando em arrepio, é a vez de John Keating detonar nos
teclados, um duelo entre um Orgão Hammond e um maravilhoso
EMS Synthi VCS3. Essa faixa é pra ouvir bem alto, tipo estourando
as caixas de som e sangrando pelo nariz. Foda!

5) Não deixando por menos chega Hugo Montenegro com seus
arranjos psicodélicos eletrônicos para Too High de Steve Wonder.
Hora dos Moogs atacarem com toda pressão.
Aliás esse track foi extraído do lp "Hugo in Wonder-land", um
trocadilho que remete a Lewis Carroll se referindo ao artista negro.

6) Arregaçando nas guitarras distorcidas entra Janko Nilovic,
arranjador e compositor da antiga Yugoslavia.
Ele produziu diversos discos de library music e essa faixa
Hippocampus é deum deles.
No gênero, hoje é um dos artistas mais requisitados
pelos colecionadores japoneses, inclusive minha cópia veio de lá.

7) Se é pra arrebentar a boca no groove, ninguém melhor que o
mestre Roy Ayers, um nome de peso na música americana.
Red, Black and Green é o nome da faixa e também do album
de onde essa pérola foi pescada.

8) Não poderiam faltar os italianos quando se fala em groove.
O Soul-III arrepia com esse track The Revelations onde a
guitarra exerce um papel principal seguida por um energético
Hammond numa cadência bem dançante e psicodélica 70's.

9) Pra deixar tudo realmente "muito louco" chegam os alemães
já citando Beethoven com bastante efeitos e atonalismos.
É uma levada dançante mas bem freak e obcessiva.
Obra de arte em forma de groove experimental.
All Men Shall Be Brothers of Ludwig interpretado por
Staff Carpenborg And The Electric Corona.

10) Fechando com chave de ouro o mestre maestro David Axelrod,
um especialista entre a união de orquestra com grupo de rock.
Esse track tem um nome provocador: Mucho Chupar.
Homenagem as boqueteiras de sua época? De fato existe uns
efeitos vocais gemidos meio estranhos ao longo da gravação.
a faixa conta com a excelente performance ao Piano Elétrico de
George Duke. Pôxa, o cara é mesmo Groove... seja lá o que isso
signifique...

chupe aqui

GOLDEN GATE QUARTET - GOLDEN GATE SPIRITUALS - USA - 1950

goldenfront

Este é um disco realmente raro extraído diretamente da coleção do Mestre Yupo.
Observem que ele é chamado de LP, mas é um disco de 10" e não 12".

The Golden Gate Quartet (aka The Golden Gate Jubilee Quartet)
é o mais bem sucedido de todos os grupos Afro-Americanos de
música gospel que cantaram no estilo quarteto jubileu.
Este estilo nasceu na primeira metade do século XX
inspirado na música religiosa negra conhecida como Spirituals.
Apesar das letras ainda falarem predominantemente sobre
passagens da Bíblia e fé, esses grupos eram criados em
escolas e mais tarde em universidades somente para negros
onde aos poucos novos assuntos começaram a ser introduzidos,
como guerra, política, cotidiano e até humor.

Pesquisando descobri que foi fundado como o Quarteto Golden Gate
Jubilee em Norfolk, Virgínia em 1934 por Robert Ford, Griffin CA,
Willie Johnson, William Langford, Henry Owens e Orlande de Wilson.
Só não consegui entender o fato de ser chamado de Quarteto e
serem citados 6 integrantes, alguém me ajuda?

Eles começaram como um quarteto jubileu tradicional,
combinando os arranjos inteligentes e misturando referências como
os quartetos de barbearia e ritmos emprestados do blues e do jazz
como o scat singing.

A composição do grupo mudou ao longo dos anos, porque alguns
membros foram recrutados durante a guerra e novos membros foram
trazidos para substituir aqueles que se aposentaram ou deixaram de participar.

Possuíam um talento espetacular na forma de cantar utilizando ritmos
sincopados cantados às vezes bem rápido
ou técnicas virtuosísticas como pular de notas muito graves para altos falsetes.
Às vezes até faziam efeitos sonoros com a boca imitando trens,
animais e coisas do gênero.





Eles alcançaram fama regional através do seu programa de rádio em
Columbia, Carolina do Sul em 1930, mas tornaram-se nacionalmente
populares em 1938 após John Hammond apresentá-los como parte
de seu espetáculo "From Spirituals to Swing" no Carnegie Hall.

Eles continuaram a ser populares durante a Segunda Guerra Mundial,
fazendo várias aparições em filmes de Hollywood e cantando sua música
secular misturadas ao repertório popular, como "Stalin Wasn't Stalling"
onde humor é misturado ao comentário político.

O quarteto perdeu sua posição de destaque na música gospel, após a
guerra, quando eles enfrentam a concorrência de novos artistas do gênero.

Aos poucos o grupo foi perdendo a força e até alguns
integrantes deixaram o grupo para se tornar pastores.

Reavivaram sua carreira em 1955 quando visitaram a Europa
pela primeira vez, onde se tornaram muito populares.
O sucesso foi tão grande que acabaram mudando-se para Paris em 1959.

Durante sua curta carreira no Exército, Elvis Presley, que era um grande
admirador do grupo desde sua infância, visitou-os nos camarins do
"Le Lido", em Paris, e ficou para assistir o show inteiro, além também
ficar com eles no Hotel Prince de Galles.



O Quarteto apareceu em filmes como "Star Spangled Rhythm (1942),
Hit Parade of 1943 (1943), Hollywood Canteen (1944), e do filme de
Danny Kaye A Song Is Born (1948). No último filme, que cantaram
"Joshua Fit the Battle of Jericho" e parte de "A Song Is Born" foi com a
parceria de Louis Armstrong e Virginia Mayo.

goldenback

baixe aqui

yupo-stamp
Post com a colaboração do Mestre Yupo

sábado, 12 de setembro de 2009

FRANÇOISE HARDY - Accompagnée par Charles Blackwell et son Orchestre - França - 1966

FHfront

Só um bom amigo e sua mulher sabem te dar um presente certo.
Nesse caso foi o grande amigo José Damiano (aquele mesmo, da nuvem nove).
Um presente de aniversário desse é pra você pensar que a vida é bela,
que não existem problemas no mundo, que o sol brilha e os pássaros cantam
e etc... dava pra ficar escrevendo um monte de coisas do gênero.
Curioso é que o disco é do mesmo ano que eu nasci.
Achei por bem dividir essa maravilha com vocês, acho que todos agradecem.
Apesar do estado do disco estar bem bacana e conservado, rolam uns
estalinhos mas nada que vai tirar o seu prazer de ouvir.
Por ser um compacto original francês em 45 RPM o nível do som é bem forte
e a freqüências muito bem equilibradas.
A capa já resume que Françoise é tudo de bom. É de sua total autoria a quarta
faixa do compacto "Je Ne Suis La Pour Personne".
Tudo de bom para você.

FHlado1

FHlado2

Tracklist:
La Maison ou J'ai Grandi
Tu Verras
Il Est Des Choses
Je Ne Suis La Pour Personne

seja feliz!

FHback

Michele Musser - Eye Chant - USA - 1986

musser-front

Ela não é nenhuma pioneira, embora nem tanta gente estivesse
fazendo que ela fez nos anos 80.
O caso é que essa "garota" não se tornou a Laurie Anderson e
vá saber no que ela se tornou...
Não existe nehuma informação sobre ela na internet e nem na
capa do disco.
O selo que lançou seu disco, QUICK SHOWER MUSIC, parece ser
menor que qualquer selo seria numa cidade interiorana no Brasil.
Artisticamente eu diria que é um grande arroizim com feijão
programado e executado por equipamentos eletrônicos da época.
Não dá pra precisar exatamente quais equipamentos.
Com certeza um sampler, daí eu poderia arriscar dizer que
pode ser um synclavier ou um fairlight.
Na capa diz apenas que foi gravado em casa.
A qualidade não é nada ruim, por isso concluo que era uma
espirante a "Doris Norton" riquinha sem muito talento.
Bom, o tempo passa e o rigor com as obras vai sumindo, já
que existe tanta coisa pobre e fraca hoje em dia nos meios
da chamada "arte eletrônica".
Olhando por esse prisma e ainda somando o fato de ser uma
"gatinha punk-new wave-neo avantgarde" vale a pena trazer
do total esquecimento esse disco que se torna curioso.
Uma coisa é certa, a moça se levava à sério.
As músicas se seguram na intenção e a capa foi muito bem
realizada.
Moça moderninha ressucitada do túnel do tempo dos chiques

musser-back

tracklist:
Tour de France (Day 2)
In the Air
The Intruder
100% Bridal Illusion
Eyechant
Dream Clock
Proteus and The Marlin
Too Much.

baixe aqui

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

CHARLOTTE & GAINSBOURG - Lemon Incest - França - 1984

serge folder

Um dos pilantras mais clássicos e velho babão,
o genial multi-artista Serge Gainsbourg, ícone supremo
da música francesa, sinônimo de baixaria e músicas incríveis, já
havia feito de tudo para chocar a moral religiosa e burguesa.
Em 1984 pegou pesado com a provocativa Lemon Incest e quebrando
todos os tabus do mal gosto com uma canção de muito bom gosto
ao lado de sua filhinha de 15 anos Charlotte. Esta tem uma das
mães mais bonitas da história, a queridíssima Jane Birkin.
Aliás, fisicamente Charlotte é a mais perfeita combinação dos
genes de duas pessoas, o que resultou numa belíssima garota feia.
E é por causa dessa garota feia que coloco esse disco neste blog.
Em homenagem ao seu encantador, desconsertante e perturbador
talento como atriz e seus grandes méritos no filme "O ANTICRISTO"
de Lars Von Trier.
Voltando nesse compacto, é importante dizer que a música Lemon
Incest é mais uma das bem sucedidas experiências de Gainsbourg
em transformar música clássica em Hit Pop.
Numa versão que remete a disco eletrônica de Giogio Moroder,
ele transforma o Estudo Nº 3 em Mi maior Opus 10 de Chopin num
hit de boate gay dos anos 80.
Inclusive a faixa do lado B, Hmm Hmm Hmm, é extraída do album
"Love on the Beat" onde o mesmo aparece travestido na capa.
Esse Serge... conseguiu o que queria, viu...

serge back

Veja o video deixa baixaria bacana



péga aqui no papai

KLAUS HUBER & HARALD GENZMER - Estréias Mundiais - Alemanha - 1971

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Juiz de Fora se mostra mais uma vez como uma boa fonte de discos eruditos
de compositores do Século XX de altíssimo nível possíveis de se encontrar usados.
Mais esta obra prima fui capaz de trazer de lá (e dessa vez com mais uma
cópia da Finis Temporum Comoedia de Carl Orff para o mestre Yupo).
Este disco com o nome enigmático de "ESTRÉIAS MUNDIAIS" é um lançamento
nacional, produzido sob licença da TOPTAPE, e estimo que tenha sido lançado
no meio pro fim dos anos 70.
Apesar da belíssima capa, que foi na prática o que me fez prestar atenção no
mesmo, é uma edição bem barata, tanto em qualidade de papel e impressão,
quanto de qualidade do vinil, mas a reprodução do disco mesmo assim me
impressionou.
É desses discos que parecem que nunca foram ouvidos, mas que na agulha
pipocam que é uma beleza nas partes mais silenciosas.
Claro, "ESTRÉIAS MUNDIAIS" sugere o título de uma série de discos de obras
de compositores contemporâneos.
Nesse caso ele aborda obras dos compositores KLAUS HUBER (nascido em 1924
na Suíça) e HARALD GENZME (nascido em 1909 na Alemanha).
As duas obras contidas neste LP, no caso uma de cada lado, foram apresentadas
por ocasião do quingentésimo aniversário do nascimento de Albrecht Dürer,
o maior pintor da Renascença alemã na sala dos MESTRES CANTORES DE
NÜREMBERG.

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Albrecht Dürer nascido em 21 de Maio de 1471 e morreu em 6 de Abril de 1528

No lado A temos a obra "...Inwendig voller Figur..." (Por dentro cheio de figuras)
de HUBER. Foi encomendada pela cidade de Nüremberg e composta no período
de 1970-1971.
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O compositor, que ficou muito impressionado ao ver a obra "The Vision" de
Dürer aos 7 anos de idade, aceitou imediatamente a encomenda e comenta:
"Quando Nüremberg me propôs escrever alguma coisa para as comemorações
de Dürer concordei imediatamente... li então o Apocalipse de S. João no
Novo Testamento... escolhi os textos: Em alemão como está na bíblia de
Lutero, no texto original em grego, em língua italiana e em inglês comforme
a bíblia do Rei Jaime. Além disso procedi a uma análise acurada dos textos
do Apocalipse."
E sobre a obra em si HUBER diz:
"Começa de uma maneira muito estática com um som que permanece.
Depois começa o movimento em direção àquele terrivel momento que foi o caos".

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Foi composta para Coral, Auto-Falante, Orquestra e Fita Magnética.
Nessa gravação é interpretada pelo Coro da Rádio da Baviera de Munique
e Orquestra Filarmônica de Nüremberg, sob a regência de Hans Giester.

No lado B do LP temos o compositor HARALD GENZMER (1909/2007)
nascido na cidade de Bremen na Alemanha.
genzmer
O Concerto para Orgão e Orquestra aqui apresentado, também sob regência
de Hans Gierster, foi composto em 1970 e trás como organista Hedwig Bilgram.
As obras de GENZMER encontram bom acolhimento não só na Alemanha mas
também em inúmeros países estrangeiros.
Adepto da escola de Hindemith, GENZMER cultivava um estilo moderno-conservador.
Fez sua a teoria de Hindermith de compor obras que possam ser interpretadas
não só por músicos profissionais mas também por amadores e estudantes de música.
O concerto de orgão aqui apresentado foi composto de acordo com as espantosas
possibilidades do orgão da Sala de Concertos dos Mestres Cantores.
A fim de fazer resaltar a variedade de registros desse maravilhoso instrumento
o compositor dispensou os instrumentos de sopro de madeira.
A orquestra compõe-se, portanto, apenas de instrumentos de cordas, de instrumentos
de sopro e metal e timbales.
Detalhe: este foi o orgão que Richard Wagner utilizava para estudar.

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Seguindo a velha tradição dos organistas GENZMER dá oportunidade ao solista
de, no primeiro movimento, numa passagem do gênero tocata, demonstrar o seu
virtuosismo. O final baseia-se num tema do organista e compositor Johann Pachelbel,
um contemporâneo de Johann Sebastian Bach, que alcançou fama em toda a Europa.

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Fazendo uma comparação ridícula, este concerto me lembra um pouco Tarkus do E,L&P.

Ouça aqui

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

FEIRA DO TANGERINO - Av. Paulista - São Paulo - Brasil - 2009

FEIRA DO TANGERINO - São Paulo from paulo beto on Vimeo.



Acontece todos os feridos (ou quase todos), uma feira de vinil na avenida paulista,
ao lado do trianon organizada pelo Sr. Tangerino, que também é dono de uma loja na
própria galeria que ocorre o evento.
Essa aconteceu no feriado de 7 de setembro de 2009.
Por ser um feriado nacional e ter feito um dia bem bonito na capital de São Paulo,
a feira ficou bastante movimentada, inclusive com feirantes vindos de outras cidades.
Este é um registro simplório do que rola.
Eu quis fazer mais exatamente assim, com uma estética de video de churrasco.
Conheça algumas criaturas que frequentam e habitam por lá.

domingo, 9 de agosto de 2009

José Mário Branco - Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades - Portugal - 1971

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Ao contrário de certos artistas Brasileiros, o cantor e compositor
Português, José Mário Branco, durante seu exílio na França de durou
do ano de 1963 à 1974, produziu este belíssimo e inspirado disco.
Mais específicamente no ano de 1971.
Soa como uma mistura de música medieval com fado, toques de música
concreta e blues.
Filho de professores primários, cresceu no Porto e frequentou o curso
de História, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra,
que não concluiu.
Expoente da música de intervenção portuguesa (música de protesto),
iniciou a sua carreira durante o Estado Novo, tendo sido perseguído e exilado.
Com ele trabalharam José Afonso, Sérgio Godinho, Luís Represas, Fausto
e Camané, entre outros, com os quais participou em concertos ou em álbuns
editados como cantautor e/ou como responsável pelos arranjos musicais.
Igualmente compôs e cantou para o teatro, o cinema e a televisão.
Em 1974 fundou o GAC - Grupo de Acção Cultural com o qual gravou dois álbuns:
A cantiga é uma arma (G.A.C) (1976)
Pois canté! (G.A.C.) (1977)
Entre música de intervenção, fado e outras, são obras suas famosas os discos
Ser Solidário, Margem de Certa Maneira, A noite e o emblemático FMI,
obra síntese do movimento revolucionário português com seus sonhos e desencantos.
Esta última foi pelo próprio proibida de passar em quaisquer rádio, TV ou outro
tipo de exibição pública. Não obstante este fato, FMI será, provavelmente, a sua obra
mais conhecida.
O seu álbum mais recente, lançado em 2004, intitula-se Resistir é Vencer
em homenagem ao povo timorense que resistiu durante décadas à ocupação
pelas forças da Indonésia logo após o 25 de Abril. O ideário socialista está expresso
em muitas das suas letras.

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Tracklist:

01 - Abertura/Cantiga para Pedir 2 Tostoes
02 - Cantiga do Fogo e da Guerra
03 - O Charlatão
04 - Queixa das Almas Jovens e Torturadas
05 - Nevoeiro
06 - Mariazinha
07 - Casa Comigo Marta
08 - Perfilados de Medo
09 - Mudam-se os Tempos, Mudam-se As Vontades

Baixe aqui

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Post com a colaboração do Mestre Yupo

EU TÔ NO TWITTER

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Agora os amigos leitores podem me seguir no twitter
Sempre estarei divulgando lá os posts e muito mais.
Não costumo ficar conversando fiado e dizendo bobagens
que estou pensando.
Só uso para divulgar coisas interessantes e me comunicar
com os amigos.
Follow me!

sábado, 8 de agosto de 2009

Jorge Antunes - Música Eletrônica - Brasil - 1975

antunes-front

Com muito orgulho apresento aqui um pouco do momento pioneiro
do compositor Brasileiro Jorge Antunes.
Seu trabalho é motivo de muito orgulho para nós Brasileiros amantes
da música de vanguarda e revolucionária.
Saibam que estão diante do primeiro disco de Música Eletrônica produzido
e lançado no Brasil. Só isso já seria um excelente motivo para culto.
Mas nosso país possui a séria tradição de não ter tradição.
De ignorar a obra e a vida de pessoas que não se enquadram dentro
da estrutura mercadológica de domina nossa cultura.
Jorge Antunes é um bom exemplo de alguém que resolveu esquecer
tudo isso e criar seus próprios veículos de divulgação e de lançamento
seu trabalho. Isso muito antes da internet.
Ele resolveu ser independente e ignorou os "DEPENDENTES".
Segue abaixo o texto publicado na contra-capa do LP.

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Hoje a internet nos dá essa possibilidade de ter a própria voz, mas, mesmo
descobrindo essa possibilidade de liberdade, a maioria das pessoas ainda
preferem a dependência de precisarem pensar ou sentir dentro de moldes
sociais e não particulares.
Em 1975 esse não era o caso do jovem brilhante e contestador Antunes.
Para entender melhor e matar algumas curiosidades, resolvi procurar
o próprio que foi altamente atencioso em colaborar com nosso blog.
Segue a entrevista.

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PB: Antunes, você com certeza já construía seus instrumentos e
equipamentos e produzia suas gravações e composições desde o
final dos anos 50. Como aconteceu a oportunidade de gravar seu
primeiro disco "Música Eletrônica" em 1975?
Era algo que você almejava muito?
Eu gostaria que você contasse tudo que você se lembra sobre quem
se interessou a lançar o seu trabalho e quais motivações você acha que
essa pessoa tinha?

JA: Na verdade, não foi no final dos anos 50 que comecei a construir equipamentos
para fazer música eletrônica: foi no início dos anos 60. Foi, mais exatamente,
em setembro de 1961, quando construi um teremim, um gerador de ondas
dente-de-serra e um reverberador de mola.
Saí do Brasil em março de 1969, depois da demissão no IVL e depois de muitas
perseguições do regime militar, após o AI-5 de dezembro de 1968.
Voltei ao Brasil em junho de 1973 e, a partir de então, comecei a buscar
gravadoras que pudessem se interessar em publicar o primeiro disco
brasileiro de música eletrônica.
Mandei cartas para a Continental, a Copacabana, a WEA, a Mangione, a Padrão,
a Musidisc, a Gaetani, a RGE/Fermata, a Chantecler, a Everest, a Pawal, a Top Tape,
a CBS, a Phillips, a RCA e a Odeon.
Acompanhando cada carta enviei um carretel de fita de rolo,
com as minhas músicas eletrônicas.
Foi um ano de espera. Recebi 15 cartas negativas e, ... milagre, uma positiva.
Era a carta da gravadora Mangione Discos.
Foi assim que saiu o disco.
Vim a saber, mais tarde, que o Sr. Mangione havia pedido opinião do
Francisco Mignone, pois este já tinha discos publicados pela Mangione.
Mignone deu apoio a meu pedido, recomendando fortemente a edição ao Sr. Mangione.


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PB: Me diga, como foi a reação do público?
Quem eram os consumidores deste LP na época?
Chegou a ser vendido em lojas convencionais?
Foi recuperado o investimento ou isso não era uma preocupação?
Essas perguntas interessam mais aos colecionadores de discos, por isso, não estranhe.

JA: Os consumidores eram poucos. Na época saiu uma matéria e entrevista comigo,
sobre o disco, em página inteira da revista Veja. Mesmo assim vendeu muito mal.
Chegou a ser vendido, sim, nas lojas comerciais, pois a Mangione tinha boa distribuição.
Não sei qual foi a tiragem e não sei se houve recuperação do investimento.
Mas, creio que houve.
Um fato pitoresco conto a seguir.
A Mangione conseguiu vender 120 exemplares ao Itamaraty, através do
Departamento Cultural que era dirigido na época pelo Celso Amorim, atual Ministro de
Relações Exteriores. A intenção era distribuir o LP a todas as Embaixadas do Brasil no
exterior, para divulgação. Mas eu soube, anos mais tarde, que quase todos os discos
chegaram quebrados às Embaixadas. O funcionário que cuidava dos envios pela mala
diplomática não fazia nenhuma embalagem especial para os discos.


ja08

PB: Fale-me um pouco sobre a capa. Os grafismos sugerem uma partitura.
Era de fato, ou apenas uma arte sugerindo feita por Joselito?
Alguma história sobre a foto? Foi produzida especialmente para o disco ou já existia?

JA: A capa foi feita pelo Joselito. Esse era um profissional capista, que era muito
conceituado no meio. Ele fazia capas para várias gravadoras. Os grafismos são
estilizações que ele fez a partir de notações musicais da partitura de Cinta Cita,
música eletrônica que está no disco. Essa música, se não me engano, é a única
música eletroacústica brasileira para a qual se fez partitura. Tenho ela ainda hoje,
que se encontra disponível na Editora Sistrum (sistrum@sistrum.com.br).
A foto foi feita pelo próprio Joselito especialmente para o disco.
Posei em seu estúdio no Rio de Janeiro.


ja06

PB: Quais eram as suas expectativas em relação ao lançamento?
Era um momento em que as pessoas estavam mais dispostas e abertas
e viam a música eletrônica como algo revolucionário, ou as dificuldades
de se trabalhar com essa linguagem eram ainda maiores?

JA: Não houve um lançamento oficial, como tradicionalmente se faz.
Saiu o disco, foi distribuido, e pronto.
Na época a Mangione tinha representantes em diversos estados,
que trabalhavam a distribuição de loja em loja.
Sim, as pessoas viam tudo como algo revolucionário.
Acho que foi por isso mesmo que não houve muito consumo.
Houve, sim, muita badalação na imprensa.
Páginas inteiras de jornais, na seção de Cultura, foram ocupadas
por matérias e entrevistas: Correio Braziliense, Veja, Estadão, Folha, o Globo e JB.


ja03

PB: Qual a importância desse disco como divulgação de suas obras
para a sua carreira?
Portas se abriram por ser o primeiro a ser lançado com esse tipo
de conteúdo no Brasil?

JA: Não percebi e não percebo qualquer importância, no disco, para minha carreira.
Portas não se abriram. Acho que foi assim simplesmente porque não existiam portas.
Se houvessem, elas se abririam. Naquela época, tal como hoje, só existiam janelas.
Janelas, panelas, janelinhas, panelinhas.
Tal como hoje, os protegidos pelo sistema entravam pela janela.
Em 2002 pedi, na ABIN, meu habeas-data.
Ao receber li apavorado que o SNI seguia meus passos sempre, desde 1965 até 1988.
O habeas-data está reproduzido, como apêndice, no livro do Gerson Valle intitulado
“Jorge Antunes, uma trajetória de arte e política”.

No disco estão obras que eram consideradas “subversivas”.
Tentei disfarçar, por meio da auto-censura.
Observe que no disco duas das músicas têm, no final dos títulos,
as breviaturas: BRLXX3 e VRSBR73.

BRLXX3 quer dizer, veladamente, como código secreto: Brasil 1973.
VRSBR73 quer dizer, veladamente, como código secreto: Versão Brasil 1973.

Então, os títulos estão assim:

HISTÓRIA DE UN PUEBLO BRLXX3 - Essa é uma versão auto-censurada de minha obra
“História de un pueblo por nacer o Carta-abierta a Vassili Vassilikos y a todos los pesimistas”.
No final da obra original existe um cânone com a primeira frase d'A Internacional.
Na versão incluída no LP eu cortei esse trecho.

AUTO-RETRATO SOBRE PAISAJE PORTEÑO VRSBR73 -- Essa é uma versão auto-censurada
de minha obra “Auto-retrato sobre paisaje porteño”.
No final da obra original eu uso um discurso, com minha voz, em que eu faço
um jogo fonético com as palavras Geral e General, como referência aos Generais
que mandavam no Brasil na época. Na versão incluída no disco eu que cortei esse trecho.

Será interessante comparar a versão que está no disco LP de 1975, com a versão original que,
hoje, já pode ser ouvida na Internet, no site:
http://www.americasnet.com.br/antunes/auto-retrato/


ja04

Agora um pouco de Jorge Antunes falando sobre sua preciosidade presente na foto acima:
JA: O meu EMS SYNTHI A está funcionando maravilhosamente.
Comprei em Londres em 1971.
Ele pifou em 1980, num incêndio no apartamento em que eu morava na 107 Norte.
Meu filho Mauritz, então com 9 anos de idade, ateou fogo numa cortina,
e meu escritório lambeu. Partes do sintetizador derreteram: botões, diodos, pinos etc.
Em 1982 fui a Londres e comprei as peças para recuperação.
Deu tudo certo. Em 1986 um curto-circuito interno, com uma perna de um diodo
encostando no tampo metálico do fundo, fez derreter de novo alguns componentes.
Em 2005 tive um projeto de espetáculo (Speculum Brasilis) aprovado nos CCBBs
do Rio e de Brasília, em que eu pretendia usar o Sintetizador analógico,
junto com meu lap-top com Pro-Tools e GRM-Tools.
Encontrei o endereço do Robin Wood em Londres. Ele era o fabricante dos EMS.
Por e-mail ele me instruiu. Desmontei e enviei as duas placas para ele por correio.
Dois meses depois me devolveu com tudo consertado.
Não posso me desfazer desse meu amor. É uma de minhas paixões.


Segue abaixo um bom exemplo da postura de Antunes resistente ao
modus operandi do mercado fonográfico e a relação do artista com
os críticos e jornalistas.
Essa carta foi encontrada dentro de uma cópia do LP citado na mesma.

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ja11

Todas as imagens deste post que não aparecem na capa do LP
foram extraídas do livro abaixo que pode ser comprado no site da SISTRUM.

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Tracklist:
01 - HISTORIA DE UN PUEBLO (BRLXX3)
02 - CINTA CITA
03 - AUTO-RETRATO SOBRE PAISAJE PORTEÑO
04 - VALSA SIDERAL
05 - CONTRAPUNCTUS CONTRA CONTRAPUNCTUS

novo link para download 2015

sábado, 27 de junho de 2009

John Boudler/GRUPO DE PERCUSSÃO DO INSTITUTO DE ARTES DO PLANALTO - UNESP - II Prêmio Eldorado de Música - Brasil - 1986

unesp

Sempre bom conhecer os trabalhos sérios de música produzidos aqui na
nossa terra e este é um ótimo exemplo.
O próprio texto da contracapa nos fará entender do que se trata.
Como nos velhos tempos:

"Quanto custa vencer um preconceito?
Em música, como em outros campos da atividade humana, às vezes
custa muito.
Custa tempo, esforço, paciência e talento.
Só assim supera-se o que parecia ser intransponível.
Os percussionistas sentem essa realidade profundamente.
Ou se conformam em permanecer no fundo das orquestras (e, até
chegar aí, eles precisam transpor alguns séculos de História da Música)
ou se debatem, heroicamente, para provar que seus instrumentos
podem exercer um papel musical respeitável.
O Grupo de Percussão Do Instituto de Artes do Planalto, da Universidade
Estadual Paulista "Júlio Mesquita Filho", tornou-se responsável por
um avanço significativo neste setor.
Formado por alunos do curso de bacharelado em música, o grupo
resolveu participar do II Prêmio Eldorado de Música (São Paulo, 1986),
superando as próprias expectativas e marcando um alegre precedente.
Não se tem notícia de outro conjunto nestes moldes que tenha vencido
instrumentos tão consagrados como o piano e o violino, só para citar
dis exemplos - em concurso de música de alto nível.
Mas o grupo venceu a competição, depois de uma apresentação exemplar
no Teatro Cultura Artística, na noite de primeiro de dezembro de 86.
A conquista de que se fala possui, pelo menos, três dimensões:
1 - Ajuda a dissolver o preconceito existente em torno de uma numerosa
família de instrumentos (quase duas centenas), alguns deles bastante
antigos e quase todos ainda sub-utilizados por muitos compositores
contemporâneos.
2 - divulga uma literatura musical estreita mas significativa, e que vive hoje
uma expansão animadora.
3 - Mostra a eficácia de uma experiência pedagógica.

John Boudler, percussionista americano, doutorado pelo American
Conservatory of Music, em Chicago, e que chegou ao Brasil há nove anos
para integrar a Orquestra Sinfônica de Estado de São Paulo como timpanista
e para dirigir o curso de percussão do Instituto de Artes do Planalto, deve acumular
um jistificado orgulho ao conferir como seus alunos têm assimilado e levado
adiante os seus ensinamentos.
Boudler criou o grupo. O trabalho está aquí, resistrado neste lançamento do
Estúdio Eldorado que marca não só a vitória no concurso como a estréia
em disco do conjunto. Pelas ágeis baquetas desses jovens músicos, ouve-se
um repertório diferenciado, que aponta para várias direções: do "ragtime"
de George Hamilton Green, que nos faz pensar na longa e harmoniosa
convivência da percussão com o jazz, até a música de John Cage.
Neste percurso prova-se ainda a experimentação pioneira de Varèse além de
dois momentos particulares na obra de Camargo Guarnieri e Marlos Nobre.

Laura Greenhalgh"

[[[[[[[[[[[[[[[[[POST EM CONSTRUÇÃO]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]

click aqui pra baixar

Karlheinz Stockhausen - Aus den Sieben Tagen - Alemanha - 1969

aus-den

Este disco foi lançado inicialmente num box com 6 outros LPs do mesmo conjunto
de obras.
"KOMMUNION" e "INTENSITÄT" fazem parte dessa série de composições
e performances chamadas "AUS DEN SIEBEN TAGEN" (From The Seven Days)
escritas em maio de 1969 e gravadas em 26 e 31 de agosto do mesmo ano
no Westdeutscher Rundfunk Cologne com 11 músicos (que neste disco só
aparecem 9) tocando diferentes instrumentos.
Trata-se de música intuitiva em seu primeiro momento de pesquisa, quando
até mesmo o mestre Stockhausen confessa estar um tanto cego em seu percurso.
Atualmente, músicos fora do contexto acadêmico costumam fazer experiências
semelhantes chamando isso de "FREE IMPROVISATION" (no Brasil: Improvisação Livre).
Fale sério, você acredita em LIBERDADE?
Quando se diz: "Você é livre para fazer o que quiser", você não acaba fazendo o que
já está em sua "programação"? Você não acaba seguindo suas vontades baseadas no
que forma seu caráter e personalidade?
Então existe uma direção, não há a dita LIBERDADE.
Transportando este raciocínio para a música, faz mais sentido chamar este tipo de
experiência de se lançar na música sem convenções de sentido harmônico ou tonal de
"MUSICA INTUITIVA", ou não?
A tônica da experiência não se baseia no fato do interprete se apoiar em sua
própria intuição?
Bem, também é possível tocar musica tonal se valendo bastante de intuição, é o que
desenvolvo com minha banda Zeroum.
Voltando ao Mestre Stockhausen, de alguma forma que não fica clara nas
informações do disco,
ele escreveu partituras ou apenas escreveu o conceito da obra. Com certeza a partitura
deve ser aquelas cheias de símbolos e desenhos.
O encarte do disco apenas é bastante claro dizendo que a prática foi conduzida,
no caso da primeira música, KOMMUNION", com idéia de que cada participante deveria
estar totalmente em sintonia com os ritmos e batimentos das frequências emitidas pelo
colega na tentativa de se fundir a nível molecular ou atômico.
É até difícil tentar entender isso na nossa lógica.
Imagino que deva fazer mais sentido convivendo e entendo a cabeça do Mestre na época.
O fato foi que as considerações dele à respeito dos resultados foram no mínimo interessantes.
Ele disse que, ao experimentarem se fundir, os resultados ao invés de soaram amigáveis
ou fraternais entre músicos, que as direções foram para os sentimentos mais viscerais e
primitivos, tendendo para uma estética que remete a guerra e a mutilação. Ele até usou a
palavra "Demoníaco".
Já em "INTENSITÄT", ele conta que algumas horas antes do horário marcado para a gravação,
ele saiu e comprou um martelo, lixas, um pedaço de madeira e uns pregos e juntou com uma
buzina de carro, um apito que tinha e foi pro estúdio com aquilo sem dar a menor explicação.
Preparou todos os microfones, posicionou os músicos e começou a "tocar" tudo aquilo.
Ele confessa ter ficado impressionado com a organização do resultado.
O ritmo de suas marteladas e bozinadas regiam a orquestração.
Observe que ele começa lixando um pedaço de madeira e em seguida parte pro martelo.
Resumindo, uma excelente obra que merece ser baixada e bem ouvida.
Não é aconselhada para quem só se liga no estilo Michael Jackson de fazer música.

Tracklist:
01 - KOMMUNION
02 - INTENSITÄT

Músicos:
Johannes G. Fritsch (Viola Alto)
Alfred Alings (Tamtam) em KOMMUNION
Rolf Gehlhaar (Tamtam)
Carlos Roqué Alsina (Piano e Orgão Hammond em KOMMUNION)
Jean-François Jenny-Clark (Contrabaixo Acústico)
Anonym (Trombone)
Michel Portal (Saxofone, Flauta e Piano)
Jean-Pierre Drouet (Percussão)
Karheinz Stockhausen
em KOMMUNION:
(Voz, Ondas Curtas, Vidro e Pedras, Filtros,
Controle de Volume e de Panorama)
em INTENSITÄT:
(Unhas, Martelo, Toco de Madeira, Lixas, 2 Filtros
Controle de Volumes e de Panorama)

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