
Juiz de Fora se mostra mais uma vez como uma boa fonte de discos eruditos
de compositores do Século XX de altíssimo nível possíveis de se encontrar usados.
Mais esta obra prima fui capaz de trazer de lá (e dessa vez com mais uma
cópia da Finis Temporum Comoedia de Carl Orff para o mestre Yupo).
Este disco com o nome enigmático de "ESTRÉIAS MUNDIAIS" é um lançamento
nacional, produzido sob licença da TOPTAPE, e estimo que tenha sido lançado
no meio pro fim dos anos 70.
Apesar da belíssima capa, que foi na prática o que me fez prestar atenção no
mesmo, é uma edição bem barata, tanto em qualidade de papel e impressão,
quanto de qualidade do vinil, mas a reprodução do disco mesmo assim me
impressionou.
É desses discos que parecem que nunca foram ouvidos, mas que na agulha
pipocam que é uma beleza nas partes mais silenciosas.
Claro, "ESTRÉIAS MUNDIAIS" sugere o título de uma série de discos de obras
de compositores contemporâneos.
Nesse caso ele aborda obras dos compositores KLAUS HUBER (nascido em 1924
na Suíça) e HARALD GENZME (nascido em 1909 na Alemanha).
As duas obras contidas neste LP, no caso uma de cada lado, foram apresentadas
por ocasião do quingentésimo aniversário do nascimento de Albrecht Dürer,
o maior pintor da Renascença alemã na sala dos MESTRES CANTORES DE
NÜREMBERG.
Albrecht Dürer nascido em 21 de Maio de 1471 e morreu em 6 de Abril de 1528No lado A temos a obra "...Inwendig voller Figur..." (Por dentro cheio de figuras)
de HUBER. Foi encomendada pela cidade de Nüremberg e composta no período
de 1970-1971.

O compositor, que ficou muito impressionado ao ver a obra "The Vision" de
Dürer aos 7 anos de idade, aceitou imediatamente a encomenda e comenta:
"Quando Nüremberg me propôs escrever alguma coisa para as comemorações
de Dürer concordei imediatamente... li então o Apocalipse de S. João no
Novo Testamento... escolhi os textos: Em alemão como está na bíblia de
Lutero, no texto original em grego, em língua italiana e em inglês comforme
a bíblia do Rei Jaime. Além disso procedi a uma análise acurada dos textos
do Apocalipse."
E sobre a obra em si HUBER diz:
"Começa de uma maneira muito estática com um som que permanece.
Depois começa o movimento em direção àquele terrivel momento que foi o caos".

Foi composta para Coral, Auto-Falante, Orquestra e Fita Magnética.
Nessa gravação é interpretada pelo Coro da Rádio da Baviera de Munique
e Orquestra Filarmônica de Nüremberg, sob a regência de Hans Giester.
No lado B do LP temos o compositor HARALD GENZMER (1909/2007)
nascido na cidade de Bremen na Alemanha.

O Concerto para Orgão e Orquestra aqui apresentado, também sob regência
de Hans Gierster, foi composto em 1970 e trás como organista Hedwig Bilgram.
As obras de GENZMER encontram bom acolhimento não só na Alemanha mas
também em inúmeros países estrangeiros.
Adepto da escola de Hindemith, GENZMER cultivava um estilo moderno-conservador.
Fez sua a teoria de Hindermith de compor obras que possam ser interpretadas
não só por músicos profissionais mas também por amadores e estudantes de música.
O concerto de orgão aqui apresentado foi composto de acordo com as espantosas
possibilidades do orgão da Sala de Concertos dos Mestres Cantores.
A fim de fazer resaltar a variedade de registros desse maravilhoso instrumento
o compositor dispensou os instrumentos de sopro de madeira.
A orquestra compõe-se, portanto, apenas de instrumentos de cordas, de instrumentos
de sopro e metal e timbales.
Detalhe: este foi o orgão que Richard Wagner utilizava para estudar.

Seguindo a velha tradição dos organistas GENZMER dá oportunidade ao solista
de, no primeiro movimento, numa passagem do gênero tocata, demonstrar o seu
virtuosismo. O final baseia-se num tema do organista e compositor Johann Pachelbel,
um contemporâneo de Johann Sebastian Bach, que alcançou fama em toda a Europa.

Fazendo uma comparação ridícula, este concerto me lembra um pouco Tarkus do E,L&P.
Ouça aqui